PRIVATIZAÇÃO

Vereadores de Candiota criticam duramente intenção do Estado em vender a CRM

A privatização da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) não é um assunto novo. Desde meados da década de 1990, que esta possibilidade está em pauta. A primeira tentativa foi no governo de Antônio Britto (MDB), entre 1995-1999.

Depois, voltou a ser debatida no governo de José Ivo Sartori (MDB) e agora no primeiro e segundo governo de Eduardo Leite (PSD), a ideia segue firme e forte. Vale lembrar que o maior e único ativo em funcionamento da estatal é a Mina de Candiota.

Na semana passada, numa entrevista coletiva após a apresentação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 em que prevê um déficit de 4,8 bilhões, o governador teria ventilado novamente a venda da estatal, avaliada em R$ 824,5 milhões, como forma de diminuir o rombo fiscal. A situação foi veiculada pelo TP na última edição impressa e o fato repercutiu na sessão da Câmara local esta semana.

REPERCUSSÃO E CRÍTICAS

A primeira vereadora a criticar a intenção do governo estadual foi Luana Vais (PT). A parlamentar afirmou que a CRM é uma empresa superavitária e que neste ano deve ter em caixa mais de R$ 100 milhões. “É uma empresa pública estratégica para o povo gaúcho, estratégica para a transição energética, e o governador quer vender a nossa CRM. Nós não podemos ficar calados, temos que nos manifestar, temos que lutar pela CRM pública. Levamos a pauta aos deputados do PT, porque a gente sabe que esses defendem a CRM pública e eles devem propor uma audiência pública na Assembleia Legislativa para debater. Esperamos que possa entrar logo na pauta, antes que aconteça o pior, que é o governador vender com a justificativa pífia de recuperação fiscal para o governo do Estado”, disse.

O vereador Adriano Revelante (MDB), que funcionário do quadro da CRM, disse que fica entristecido por ser de um partido de base do governo em ler e ouvir uma notícia dessas, que é da venda da CRM. “Em plena época de eleição, enfim, eles não desistiram da venda da CRM. Então, seguimos na luta para que a CRM continue pública, porque já temos os exemplos aí que as privatizações CEEE e da Corsan, não deram resultados e estão cada vez pior. Não queremos isso. Privatizar a CRM apenas por privatizar, e alegando que é para melhorar as finanças do Estado, e, na verdade, não melhorou em nada, piorou o serviço, e ainda vamos entregar com déficit”, apontou ele.

Por fim, o vereador e presidente da Câmara, Gildo Feijó (MDB), foi mais enfático ainda, dizendo que a venda da CRM seria uma gota no oceano do déficit. “Não é porque é o meu partido que está à frente que eu vou baixar a cabeça e dizer que está tudo certo. Nós não concordamos. Este vereador não concorda. O MDB de Candiota não concorda, que fique claro. O que os governos teriam que fazer era olhar com outros olhos para a CRM.

Lamentavelmente só falam em vender e não vem ver aqui a luta toda que foi travada por esta comunidade, por esta região, para manter a nossa usina, o nosso carvão, o nosso ouro negro. Por que tanta mágoa e perseguição com o nosso carvão, inclusive do meu partido? Eu não consigo entender e nunca vou entender. E jamais vou desistir de defender o nosso ouro negro. Nos colocamos contrários. O MDB da Candiota, o presidente da Câmara de Candiota, o vereador com o quatro mandatos em Candiota, Gildo Feijó, quatro vezes presidente desta Casa, se manifesta veementemente contra a entrega da nossa querida CRM”, asseverou.

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