200 anos de Dom Pedro II

O cenário foi de defesa no Rio de Janeiro nos idos de 01 de dezembro de 1825. Era um momento de celebração pelo terceiro ano da coroação de Dom Pedro I como Imperador do Brasil. Houve uma gama de eventos, incluído um imponente desfile militar, uma missa em Ação de Graças e um “beija-mão” no Paço Imperial, seguido de fogos de artifício. Uma relevante ausência foi notada, todavia: a Imperatriz Leopoldina não compareceu.

A razão pela ausência carregava relevo, entretanto: Leopoldina estava na iminência de dar à luz a mais um filho, o sexto filho do casal. Era Pedro, o primeiro brasileiro a governar o país, que viria ao Mundo nas primeiras horas da madrugada de 02 de dezembro de 1825. O infante seria batizado com um nome pomposo – e extenso: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga. Ou: Dom Pedro II, o segundo Imperador do Brasil, primeiro brasileiro a ocupar o trono, governante que por mais tempo ocupou o posto de líder do país (49 anos, de 1840 a 1889).

Completou-se, pois, no curso da semana, o bicentenário do nascimento de Dom Pedro II, um dos maiores brasileiros de todos os tempos. E essa data nos conclama, assim sendo, a traçar algumas considerações acerca da sua trajetória, através de um governante que amava a ciência, a educação, a liberdade, inclusive a de expressão.

A infância de Pedro não foi nada fácil. Ele ficou órfão de mãe com apenas um ano de idade. Já aos cinco anos viu seu pai, o Imperador Dom Pedro I, abdicar do trono e retornar a Portugal para travar a famosa Guerra Civil portuguesa contra Dom Miguel pelo trono do Reino. Ambos, pai e filho, nunca mais se veriam. Pedro, no entanto, teve destacados tutores e conselheiros no curso desse caminho, dentre eles José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência. Tudo isso lidava, definitivamente, com um rito de preparação para a condução dos destinos da Nação. Não foi à toa que Dom Pedro II ficou conhecido como o “imperador filósofo”, o “imperador cidadão” ou o “imperador iluminado”.

Pedro II era um amante dos estudos, o que é uma verdade incontestável. Fez diversas viagens científicas e culturais ao exterior, priorizando na agenda visitas a museus, bibliotecas, instituições culturais e encontro com intelectuais. Também se interessou pela comunicação. E esse lado intelectual e científico, muitos dizem, seria uma herança materna – Leopoldina era poliglota e estudou diversas disciplinas, como geometria, filologia e numismática. Era apaixonada por botânica, mineralogia e ciências naturais, algo compartilhado pelo Imperador das ciências.

Em 1840, a partir do “golpe da maioridade”, com fins de garantir a unificação do território e a pacificação do país, o jovem seria entronizado aos 15 anos de idade, governando o país até 1889, quando cairia a Monarquia pelo golpe republicano de 15 de novembro. E, no fim das contas, três conquistas advindas do seu Reinado merecem o devido destaque: a unificação continental do Brasil; a monarquia constitucional e; a abolição da escravidão.

JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO

Comentários do Facebook