Muitas dificuldades foram enfrentadas pelos assentados logo após suas chegadas na região no final da década de 1980 Foto: Divulgação/MST
Com 10 episódios de 13 minutos cada, a série documental ‘Da Raíz aos Frutos’, elaborada pela produtora Anti Filmes, do gaúcho Frederico Ruas e com parceria de Carlos Afonso Ilha Noya, conhecido como Cacaio, quer retratar a história da reforma agrária na região. Atualmente, a equipe busca parcerias e recursos para elaboração do material.
Ao TP, Frederico e Cacaio contaram sobre a história por trás desta produção.
HISTÓRIA
A reforma agrária, puxada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), está em todos os cantos do Rio Grande do Sul. A luta de um grupo de camponeses, que iniciou em 1984 no município de Ronda Alta, na região Norte, desafiou os acampados daquele local a se deslocarem para a Campanha gaúcha.
Em 2026, a região completa 37 anos da conquista dos primeiros assentamentos, que lutaram por terra, saúde e educação. Em 1989, quando os sem-terras se deslocaram para a região, existia somente o município de Bagé. Depois da implementação de mais assentamentos é que foram criados os municípios de Hulha Negra e Candiota (1992) e Aceguá (1996).
A partir da luta pela terra, na época foram criados seis assentamentos. Os que atualmente estão localizados em Hulha Negra são os assentamentos Nova União, Missões Alto Uruguai, Santa Elmira e Conquista da Fronteira. Já os situados em Candiota são os assentamentos Santa Lúcia e Nossa Senhora Aparecida. Nesses dois municípios, juntamente com Aceguá e Pedras Altas, há cerca de 2.250 mil famílias assentadas em 58 áreas de reforma agrária.
Tanto Cacaio quanto Frederico enfatizam como a reforma agrária desenvolveu a região Sul do Estado. “Essa luta trouxe na marra, o desenvolvimento, a infraestrutura, a prosperidade e a economia girando mais”, declara Frederico.
PARCERIA
Frederico e Cacaio estão a frente da produção Foto: Samuel da Rosa/Assessoria PMHN
O cineasta Frederico Ruas é natural de Porto Alegre, mas reside em São Paulo há três anos. Proprietário da empresa Anti Filmes, que está responsável pela realização da série, ele é vencedor de diversas premiações no audiovisual pelo país.
Frederico contou ao TP que por ser um profissional gaúcho e que trabalha em diferentes estados, via necessidade de contar histórias do Rio Grande do Sul, que as pessoas não têm conhecimento. “A impressão que eu tenho é que a maioria das pessoas sabe muito pouco e o que sabe é sempre estereotipado e baseado em um pequeno recorte do Estado, que é o que chega pela grande mídia”.
Frederico conheceu Cacaio por meio da sua obra literária, ‘Liberdade no Futuro: A saga da luta pela terra’. Ao TP, Cacaio, que é escritor e assentado, contou que após a finalização da obra, ele realizou uma pequena tiragem e comercializou ela em uma feira da reforma agrária em São Paulo, no ano de 2024, quando Frederico teve acesso a história. Atualmente, Cacaio reside em Santa Maria, mas viaja regularmente para São Paulo. Cacaio também falou sobre o título de sua obra, que leva o nome de seu assentamento de origem, localizado em Santana do Livramento.
A partir deste momento, Frederico leu e se interessou pela história, que é um um romance social e político que retrata a luta pela terra e pela reforma agrária no Brasil, e passou a se aproximar de Cacaio para uma adaptação do livro para o audiovisual.
VISITAS
Depois de algumas conversas, Cacaio falou para Frederico sobre a importância de ele conhecer os assentamentos, quando a dupla esteve mais de uma vez em Hulha Negra, município em que, por mais que não seja sua região, Cacaio possui boas relações. “Levei o Frederico para conhecer o cotidiano, como funcionam as coisas, porque é justamente isso que eu relato no livro”, comentou Cacaio.
Para Frederico, a visita foi importante, principalmente para perceber sobre a necessidade da divulgação do material ao público jovem. “Nós estivemos conversando com alunos e professores da escola Chico Mendes (um fruto da reforma agrária). Então, desse diálogo vi que tinha essa demanda por contar a história dessas pessoas que lutaram, que emanciparam municípios, que desenvolveram a terra, a região, que com a força do seu trabalho enriqueceram a região, que trouxeram prosperidade, ajudaram a desenvolver através da reforma agrária e do trabalho na terra nesses lugares. E o pessoal ali da escola, os professores, falaram que os jovens também não conhecem muito essa história”, afirmou.
FORMATO
A série documental, conforme explica Frederico, tem como missão conectar o público, principalmente o jovem, tanto da região como do país. “Eu pensei que, em vez de fazer um filme de longa-metragem ou documentário, o melhor formato seria uma série de episódios curtos, porque é melhor de passar na escola e também, se for para a internet, plataformas de streaming, é um tempo que também ele é mais palatável”, ponderou, lembrando como atualmente o público jovem é muito consumidor de conteúdos curtos.
DA RAÍZ AOS FRUTOS
Questionado pela escolha do nome para a produção, Frederico explica sobre a ‘raíz’ representar quem veio para a região da Campanha no início do Movimento, e os ‘frutos’ descrevem o retorno que essa luta trouxe. Neste momento, o projeto está na fase da busca de recursos para colocar em prática a produção.
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