Há dias em que eu me sinto pensando no mundo onde eu fui colocado ao nascer e nas dimensões desse mundo que é meu de forma muito particular. Nasci em Bagé e com menos de seis anos fui morar em Hulha Negra, por volta de agosto de 1965, quando meu pai passou a ser um militar da reserva (aposentado). Hulha Negra era uma pequena vila de Bagé, sem rede de luz elétrica, nada de água encanada ou redes de esgoto. Cerveja gelada era a que ficava no fundo do poço e era puxada num balde com corda amarrada na casa do tio Dirceu.
Para mim, indústria grande era o frigorífico Santo Antônio e fazenda de porte era a do Seu Florentino Bueno, em Pedras Altas, com cerca de 2,5 mil hectares, dividida entre os filhos ainda nos anos 60 do século passado.
Lembro dessas coisas porque há quem diga que nossos cérebros têm dimensões. Assim, há quem pense em milhares, há quem pense em milhões, há quem pense em bilhões e há quem pense em trilhões de reais ou dólares. O meu cérebro não vai muito longe. No máximo administrei alguns poucos milhões por ano, o que é mais que quase todo mundo administra.
Nunca lancei ideias como a do ex-prefeito de Pedras Altas, Sílvio Marques Dias, que há muito tenta viabilizar uma usina termelétrica no município. Uma grande ideia muito difícil de viabilizar. Sou de pensar em projetos que não precisam de muitos valores e amplamente viáveis.
Dia desses descobri que tenho alguns pensamentos que já foram pensados muito antes de mim por Albert Einstein a quem se atribui a frase ‘A arte da vida é fazer com que as coisas simples sejam feitas’. Não fazer ou fazer uma esculhambação qualquer um faz ou não faz.
Fazer simples é seguir uma coerência necessária.
Eu só queria ver as pessoas fazendo coisas simples. Quando chego em Hulha Negra, por exemplo, eu vejo que falta muita coisa, mas em algumas ruas precisam fazer calçadas, inclusive na Avenida principal. Depois do saneamento e da pavimentação é preciso fazer calçadas. Simples assim. Nos últimos anos algumas calçadinhas foram feitas. Não tem a largura ideal e se resumem a um concreto jogado em cima do chão (mas é melhor que nada). Parece que ninguém olhou para o calçadão central na Avenida Getúlio Vargas onde lajotas cobrem o concreto. Faz cerca de 15 anos que o projeto do calçadão feito no meu último mandato, com recursos viabilizados antes do final do meu último mandato (2005-2008) foi realizado.
Fazer simples é seguir uma coerência necessária. No meu primeiro mandato (1993-1996) viabilizamos o ensino fundamental na sede do município, da pré-escola até o fundamental completo e logo depois o ensino médio. No terceiro mandato (2005-2008) construímos prédios para viabilizar o ensino fundamental completo municipal na sede e o Polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Tudo feito e com uma sequência lógica muito simples. Só faltou a creche na sede do município, que foi viabilizada por quem me sucedeu. Hoje, Hulha Negra possui ensino na sede que atende da creche ao nível superior (universitário). Será que atualmente na Hulha é muito difícil pintar um colégio?
Será que em Candiota é muito difícil fazer uma escola municipal na sede do município?
Volta e meia ouço as pessoas me falando que há grandes projetos em andamento. Eu não me vejo como um ser humano que na vida tenha tocado grandes projetos, ainda que ter sido o primeiro prefeito de Hulha Negra e viabilizar um município novo possa ser visto por alguns como um grande projeto.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO



