Para resolver é preciso conhecer

Antes de escrever a coluna liguei para o João André em busca de boas notícias. Afinal, este jornal tem o compromisso com o sucesso e mantém a inabalável crença de que a região tem imenso potencial para se desenvolver. Eu sigo a linha editorial e como na semana passada pontuei alguns dados não muito elogiáveis sobre a educação em Hulha Negra, que não é diferente da educação regional, preciso tratar sobre algo de bom para não me tornar alguém dispensável.

O fato é que o Índice Municipal de Educação do Rio Grande do Sul (IMERS) de 2024 colocou Hulha Negra na posição 434 em 497 municípios gaúchos e recentemente o Índice de Progresso Social (IPS) – que trata de municípios de todo Brasil colocou o “acesso à educação básica” – de Hulha Negra na posição 5.344 em 5.570 municípios brasileiros. Candiota, que no IMERS ficou na posição 496 em 497 municípios gaúchos, no IPS ficou um pouco melhor, na posição 4.266 em 5.570.

Fazendo do mesmo jeito nada muda. Einstein já falava isso, com outras palavras…

O IPS analisou em “acesso à educação básica”, os seguintes indicadores: abandono no ensino fundamental, abandono no ensino médio, distorção idade-série no ensino médio, evasão no ensino médio, evasão no ensino fundamental, reprovação escolar no ensino médio. Candiota tem seu maior problema no abandono no ensino médio, mas numa escala forte, neutro e fraco não é forte em nenhum dos parâmetros, sendo fraco no abandono do ensino médio e neutro nos demais. Hulha Negra é neutro em apenas um parâmetro, abandono do ensino fundamental e fraco nos demais. Na região da Campanha, Aceguá, Bagé, Candiota, Caçapava do Sul, Dom Pedrito, Hulha Negra e Lavras do Sul, o menor IPS é o de Hulha Negra e o menor IPS de “acesso à educação básica” é de Hulha Negra. Ampliando a região para Herval, Pedras Altas, Pinheiro Machado e Piratini, Hulha Negra tem IPS de “acesso à educação básica” melhor que Pedras Altas, Pinheiro Machado e Herval.

Quando precisamos melhorar, a primeira coisa a fazer é saber de onde partimos.

Ainda não temos dados das gestões atuais. Candiota continua com a mesma administração, mas Hulha Negra mudou o gestor e com ele a gestão na educação. Olhando de longe não parece que mudou de forma significativa, mas é melhor aguardar os indicadores de 2025 para fazermos uma abordagem mais relevante.

Fazendo do mesmo jeito nada muda. Einstein já falava isso, com outras palavras, mas ninguém precisa ser gênio para saber que fazendo do mesmo jeito se chega ao mesmo resultado.

Parece-me claro, porém, que nos últimos 18 anos em Hulha Negra a rede municipal de ensino possui menos alunos e mais professores, o transporte escolar transporta menos alunos com mais veículos e a receita que quase dobrou em valores reais não aumentou o salário dos professores na mesma proporção.

São detalhes que podem ajudar a análise de quem tem o dever de administrar o município e buscar melhores resultados.

Mudando de assunto, fiquei sabendo que está bem encaminhada e já foi notícia neste jornal uma pequena participação de Hulha Negra no retorno de ICMS relativo a Usina Pampa Sul, que fica na divisa entre Hulha Negra e Candiota, que utiliza águas de uma barragem que parte fica em Candiota e parte em Hulha Negra. Durante anos tentei convencer o ex-prefeito Renato Machado e vereadores de Hulha Negra a buscar um entendimento com Candiota, sem sucesso. É justo que Hulha Negra tenha uma participação. Na gestão de Erone Londero, Hulha Negra aprovou todas as leis que Candiota precisava para a construção da Usina sem pedir nada ou quase nada.

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