PRIVATIZAÇÃO

Vereadores de Candiota novamente se posicionam contra venda da CRM

Parece ser unanimidade na Câmara de Candiota, o posicionamento contrário a venda pelo Estado da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) – estatal que possui sue maior e único ativo em funcionamento, a Mina de Candiota, que abastece de carvão mineral a Usina de Candiota, pertencente a Âmbar Energia.

O assunto voltou forte depois de uma nova manifestação do governador Eduardo Leite (PSD), durante um evento na semana passada, promovido pelo próprio governo, sobre a transição energética. Leite afirmou que já está trabalhando no processo, porém acredita que a finalização ficará para um próximo governo, que será eleito nas eleições deste ano. O Estado avalia que após a prorrogação do contrato da Usina com o governo federal até 2040, o processo de privatização das CRM ganhou impulso e valoração.

VEREADORES

Para o vereador Axel Costa (PT), a notícia do avanço do processo preocupa. “Independente das posições políticas, estamos falando de uma empresa que é estratégica e tem a ver com a emancipação do município. É inadmissível que o governo Eduardo Leite-Gabriel Souza coloquem as mãos novamente no patrimônio público”, disse.

A vereadora Luana Vais (PT), lembrou que a luta contra a privatização vem sendo travada há muito tempo. “Porque se tem uma coisa que nós da esquerda defendemos é o patrimônio público. Nosso companheiro Edegar Preto já barrou uma vez a privatização da CRM (quando era presidente da Assembleia) e agora o governador Eduardo Leite e seu vice Gabriel Souza, que é pré-candidato ao governo do Estado, volta com essa pauta. Estamos fazendo o nosso papel, embora a CRM esteja sendo muito bem preparada para a privatização. Já teve demissões na semana passada”, afirmou, lembrando do projeto de lei que tramita na Assembleia, de autoria do deputado Adão Pretto Filho (PT), que barra privatização em ano eleitoral.

O vereador Adriano Revelante (MDB), que é funcionário do quadro da estatal, também se deferiu do que classificou de desmonte da empresa para a privatização, com alegação da transição energética “Mas ele (o governador) não disse o que vai fazer com o dinheiro da venda da CRM e não tem um projeto que seja para a transição. “Esperamos que o próximo governador ou governadora possa mudar essas condições da CRM, que é esperança para todos nós, funcionários, familiares, enfim, todas as pessoas que estão envolvidas na cadeia do carvão”, avalia.

Expressando solidariedade aos trabalhadores da estatal, Marcelo Belmudes (PT) também se referiu as demissões que já estão acontecendo de aposentados da CRM. “É mais um ataque desse governo do MDB, PSDB e PSD aos trabalhadores da nossa querida CRM”, pontuou.

Por fim, o vereador Gildo Feijó (MDB), que também é funcionário do quadro e superintendente Administrativo da Mina de Candiota, defende que o próximo governo é que deve decidir o que fazer com a CRM. “Não podemos agora, no apagar das luzes, querer a toque de caixa, entregar a CRM, entregar a educação, entre outros vários projetos que estão circulando”, ponderou. Gildo ainda se referiu ao valor avaliado da estatal, em pouco mais de R$ 800 milhões, porém lembrou que o próprio governador falou num déficit para 2027 de R$ 5 bilhões. Venderam a CEEE e a Corsan para pagar dívidas e continua com esse déficit de R$ 5 bilhões. Vão entregar a CRM, que mesmo que fosse por R$ 800 milhões, que dívida seria paga? Nós vamos lutar sempre. Dê o que der. Façam o que quiserem. Mas nós estaremos sempre nesta trincheira em defesa do que é bom. E a CRM é o nosso patrimônio”, declarou.

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