Reunião de bacana

A wikipédia, que sempre pode dar alguma informação suspeita, diz que o samba “Reunião de bacana”, mais conhecido pelo refrão “Se gritar pega ladrão não fica um meu irmão” é de autoria de Ary do Cavaco e Bebeto di São João e foi lançado em 1980, sendo gravado entre outros pelos Originais do Samba, Exporta Samba e Fundo de Quintal.

Nesta semana recheada de notícias de múltiplas falcatruas que parecem estar em todos os lados, todos os lugares, todos os debates, todas as reuniões, todos os encontros, todos os que podem roubar e quando podem roubam, lembrei do samba. “Onde tem dinheiro tem ladrão”, lembro dessa frase que certa vez me foi dita por um ex-deputado.

Quem lê esta coluna já sabe ou pelo menos suspeita que é verdade o que já escrevi aqui certa vez “Com o dinheiro que Vorcaro e sua turma roubaram dá para comprar todas as instâncias do país, o executivo, o legislativo, o judiciário, presidentes, governadores, prefeitos, deputados, senadores, vereadores, secretários, ministros, ministros do Supremo Tribunal Federal, delegados enfim, o que for preciso comprar com 60 bilhões de reais que é o prejuízo até agora sabido causado pelos desvios do Banco Master e empresas coligadas pode ser comprado. O problema é que sempre tem alguém que ficou de fora dos presentes”.

… melhor é escolher aquele que parece mais qualificado para resolver as questões internas do país e às relações internacionais.

Somando os “presentes” como os dados ao presidente Banco de Brasília, BRB, Paulo Henrique Costa, o contrato com a esposa do Alexandre de Moraes e o financiamento do filme do Jair Bolsonaro os presentes acordados superam 300 milhões de reais, dos quais mais de 200 milhões foram entregues. Uma titica para quem desviou 60 bilhões de reais. Observem que 200 milhões de reais é apenas 0,33% de 60 bilhões de reais. Na proporção, é a mesma coisa que ter 100 reais e dar 33 centavos para o filho comprar uma bala.

Esta semana o presidente do Supremo Tribunal Federal deu uma chacoalhada no ambiente, supostamente tomou para si as rédeas do processo. Eu acredito. Faz pouco tempo que o Supremo Federal, em meio a estupenda falcatrua nos judiciários brasileiros com recebimento de indenizações criadas a qualquer título que colocavam os salários dos magistrados nas alturas, por alguns de seus ministros, afirmou que faria cumprir a constituição. Dias depois, tudo ficou muito parecido com o que era antes.

Todo brasileiro acredita, e principalmente falam mais alto os que não são “flor que se cheira”, que todo ministro do Supremo Tribunal Federal comprovadamente envolvido em corrupção deve ser não só excluído, deve ser expulso sem direito a aposentadoria de magistrado. Ainda, os que não cometeram ilegalidades, mas estão envolvidos em ações evidentemente imorais, devem ser retirados dos cargos. Ministros do Supremo, seja ele simpatizante e indicado pelo Lula, seja ele simpatizante e indicado pelo Bolsonaro, devem ser excluídos. Vai mudar? Não acredito. Mas o povo vai continuar tendo a leve ilusão de que nem tudo está perdido.

Neste contexto, vamos seguindo com as notícias que tentam convencer os eleitores que o Lula é o responsável pelas supostas falcatruas do Lulinha (estão tentando pegar ele faz mais de vinte anos) e que o Flávio é neste momento o principal líder da quadrilha dos Bolsonaros. As pesquisas dizem que os dois “são farinha mesmo saco” em se tratando de honestidade. Como não há alternativa, pelo menos parece que não haverá, ainda que uma terceira opção tenha se ensaiado recentemente, melhor é escolher aquele que parece mais qualificado para resolver as questões internas do país e às relações internacionais. 

JÁ PUBLICADA NO IMPRESSO