Faleceu, no sábado passado, em Porto Alegre-RS, um dos maiores escritores/cronistas gaúchos e brasileiros. É de Luis Fernando Veríssimo que falo, morto aos 88 anos de idade devido a complicações decorrentes de uma pneumonia. Filho de Erico Verissimo, Luis Fernando, nascido em Porto Alegre nos idos de 1936, deixou como legado maisde setenta títulos publicados, que transitaram por diferentes gêneros literários, desde crônicas humorísticas até como romances, contos e quadrinhos, que acabaram retratando com graça e maestria o cotidiano brasileiro. Foram mais de cinco milhões de exemplares vendidos ao longo de sua trajetória. Além dos livros publicados, Verissimo também teve presença cativa na imprensa nacional, colaborando como colunista em alguns dos mais relevantes veículos de comunicação brasileiros, como O Estado de S. Paulo, O Globo, Veja e Zero Hora.
Entre as principais obras do escritor, estão: O Analista de Bagé (1981); A Grande Mulher Nua (1975); Ed Mort e Outras Histórias (1979);O Santinho (1991)e; Comédias da Vida Privada (1994), livro de crônicas que foi adaptado para uma série de televisão pela Rede Globo, entre 1996 e 1997. Verissimo ainda foi cartunista, roteirista e um apaixonado por jazz, tendo integrado o grupo Jazz 6 como saxofonista. Isso sem contar, apesar de torcer para o Inter de Porto Alegre, que ele acabou sendo um imortal… da Academia Brasileira de Letras.
Luis Fernando foi um gênio. Homem de poucas palavras, poucas, sim, porém, certeiras. Frasista da estirpe de um Millôr Fernandes, nos legou sentenças maravilhosas. Cito algumas delas: “Se o mundo está correndo para o abismo, chegue para o lado e deixe ele passar”; “Só há o agora. Tempo passado é lembrança e tempo futuro é adivinhação. Só o presente é tempo legítimo”; “Conhece-te a ti mesmo; mas não fique íntimo”; “Deus nos livre da burrice alheia, que a nossa é pitoresca”; “No Brasil o fundo do poço é apenas uma etapa”; “O que separa o homem dos bichos é que o homem sabe que é irracional”; dentre outras tantas.
Cito, por fim, uma das suas maiores obras, vez mais, agora com ênfase. Falo, pois, do “O Analista de Bagé”, de 1981, com as suas mais de cem edições. O analista é um personagem de humor que retrata o estereótipo da personalidade típica dos bageenses, ao menos assim é como o próprio autor o revela, na crônica inaugural. O personagem representa um gaúcho, psicanalista freudiano de linha ortodoxa, de palavras marcantes e ilustrativo da sabedoria popular do Rio Grande do Sul. Sua assistente, Lindaura, auxiliava-o na abordagem de casos mais difíceis.
As técnicas do analista “freudiano barbaridade” ou “freudiano de carregar bandeira”, “mais ortodoxo que pomada Minâncora”, não eram poucas, tampouco ortodoxas – o “cabeçaço” e o “croque de mão fechada” eram duas delas. A mais famosa, no entanto, era o “joelhaço”, destinado para aquelas situações em que o paciente era “mais enrolado que linguiça de venda”. O “joelhaço” era certeiro para “sacudir as ideias e restabelecer as prioridades”. Enfim, genial!
Que não deixemos perecer a obra de LFV! Sem mais.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO


