Água e esgoto em Candiota

Para problemas complexos, as soluções precisam ser complexas. A questão do sistema de água e esgoto de Candiota é uma dessas situações que exigem soluções bem construídas, planejamento de curto, médio e longo prazos.

É interessante a iniciativa do governo atual em procurar soluções consistentes e duradouras – não apenas paliativas. A criação de um Departamento Municipal, que ainda não ficou claro se será uma autarquia, é com certeza, um bom início para encaminhar melhorias num dos maiores gargalos de infraestrutura que a Capital Nacional do Carvão enfrenta na atualidade, sem falar é claro, na transição energética justa, que é o maior desafio.

A captação, o tratamento e a distribuição de água em Candiota sempre foi uma grande dor de cabeça e desde a emancipação em 1992 foi algo que jamais teve algum tipo de excelência, ou seja, sempre operou na precariedade e na base do improviso, da gambiarra e do puxadinho. E aqui é um problema político, pois os funcionários do setor sempre foram meio heróis em conduzir um aparelho tão sucateado.

O sistema jamais foi robusto, pelo contrário, há problemas desde a falta de uma régua de medição na barragem para se saber ao certo o nível de água bruta, de equipamentos de proteção individual (EPIs), até falta de controle de distribuição com hidrometria (se produz água para 40 mil pessoas quando o município tem apenas 11 mil), passando por redes despadronizadas, falta de capacidade de armazenamento, setor desestruturado com pouco pessoal e equipamentos obsoletos, gestão precária, além de um descompromisso financeiro, especialmente dos usuários que não pagam as suas contas mensais (mais de 70% de inadimplência) – mesmo sendo uma taxa mínima.

O fantasma da privatização, pelo menos no que foi dito na audiência pública esta semana, está afastado. Gerir saneamento, especialmente no abastecimento de água, é algo bem complexo e trabalhoso. Não são medidas mágicas que garantem um sistema robusto e sim a continuidade e planejamento de longo prazo.

O fantasma da privatização, pelo menos no que foi dito na audiência pública esta semana, está afastado. Gerir saneamento, especialmente abastecimento de água, é algo bem complexo e trabalhoso. Não são medidas mágicas que garantem um sistema robusto e sim a continuidade e planejamento de longo prazo. Criar a autarquia é um grande passo. Colocar hidrômetros sem medo do peso político disso parece ser a medida mais urgente para estancar praticamente um crime ambiental de desperdício. A sociedade candiotense está madura para esta medida, e ela precisa ser imediata e feita com firmeza pela municipalidade.

Enfim, parece haver consenso ideológico que não é mais possível empurrar com a barriga e de que não há apenas um culpado para a situação e sim há uma mea culpa geral. Como disse o vereador e presidente da Câmara, Gildo Feijó (MDB), durante a audiência, oposição e situação já se revezaram ao longo dos anos na tribuna do Legislativo levando água suja para mostrar.

Chegou, assim, a hora da ação, repetindo, que não há solução imediata e sim continuada e permanente pela complexidade da atividade. Também é necessária a participação da comunidade, pagando suas taxas e combatendo os abusos e desperdícios de um bem tão precioso à vida.

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