Dia desses estava assistindo na TV Cultura um programa chamado “Café filosófico” onde um estudioso do mundo da filosofia comentava alguns aspectos da vida cotidiana sob um olhar filosófico. Neste dia tratava sobre conceitos de mundo líquido e mundo sólido, de um filósofo recente chamado Zigmunt Bauman (1925-2017). Eu venho de um mundo em que as pessoas preferiam coisas sólidas, casa própria, carro na garagem, emprego para uma vida toda. Os jovens de hoje querem viver num mundo líquido onde tudo escorre entre os dedos e tudo é passageiro. Não vou me alongar sobre o conteúdo, que é vasto, mas me chamou atenção o que foi dito ao final “quando uma pessoa com conceitos do mundo sólido quiser opinar entre as pessoas do mundo da internet levará muito laço, será surrado”, algo assim.
Bem, eu não vou deixar de viver no meu mundo sólido, de preferência. Logo, se os falsos moralistas de hoje não gostarem do que escrevo, problema deles.
Lembrei da letra de uma música do Ivan Lins, dos anos 70, que dizia “Somos todos iguais nesta noite”. Ivan Lins era um poeta e sabia perfeitamente que esta frase se referia a uma emoção de um momento que poderia ser coletiva. Não existem duas pessoas iguais. O mundo que cada pessoa vive é só seu. Ninguém enxerga o que vê igual ao outro. Ninguém entende a fala do outro como este pensou em falar. Logo, vivemos em mundos com algumas semelhanças. Poucas coisas, na minha opinião.
O que aproxima os seres humanos é o conhecimento, a sabedoria, a capacidade de se entender diferente sem se aumentar nem se diminuir.
Daí que o mais normal é a opinião divergente da minha. Quando alguém aceita a minha opinião muitas vezes está fazendo uma concessão. Faz de conta que aceitou. Mas não pensa exatamente igual.
Porém, o que mais observo é a tentativa de alguns de imporem o pensamento de que todos somos iguais e devemos agir da mesma maneira “politicamente correta”.
Assim, para muitos, coreanos e chineses deveriam olhar um japonês sem nenhum preconceito, sem nenhuma lembrança do que passou. Não vai acontecer.
Sírios e libaneses deveriam conviver com os turcos sem nenhum remorso ou lembrança do passado.
Índios das Américas deveriam encontrar europeus no mesmo tapete vermelho sem sequelas, nem ressentimentos.
Alemães e judeus deveriam viver e conviver irmanados sob o mesmo céu.
Africanos e bávaros deveriam se ver com a mesma cor num mesmo universo igual para todos.
Somos diferentes. Nossas diversas religiões nos ensinam a respeito de deuses diferentes.
O que aproxima os seres humanos é o conhecimento, a sabedoria, a capacidade de se entender diferente sem se aumentar nem se diminuir.
No mundo real o que vimos em profusão são pessoas estúpidas falando e fazendo bobagens. Discutir com uma pessoa estúpida te coloca no mesmo patamar dessa criatura. No meio da confusão ninguém vai saber qual dos dois é o mais estúpido.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO


