MEIO AMBIENTE

Candiotão novamente ardeu em chamas em incêndio criminoso

Órgãos públicos, empresas e voluntários combateram as chamas durante dois dias seguidos

Uma grande área de mata de eucaliptos pegou fogo durante dias Foto: Josuelem Duarte

Não é primeira vez que uma área imensa do chamado Candiotão – local onde se projetou uma mega-usina termelétrica no final da década de 1970 e início dos anos 1980 e que acabou não saindo do papel, arde em chamas. Durante dois dias esta semana novamente, o local foi vítima de um incêndio criminoso, assustando a comunidade de Candiota.
A área de densa de mata de eucaliptos que pertenceu à Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) no passado e agora está em poder do governo do Estado, sendo que uma parte da área afetada também pertence à Companhia Riograndense de Mineração (CRM).

O início dos primeiros focos, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Candiota (Semac), foram identificados ainda na tarde de domingo (15), sendo que já na noite daquele dia eram cerca de 15 focos de incêndio, que é classificado pelas autoridades como criminoso pelas suas características, pois as chamas iniciaram em pontos diferentes, o que dá a ideia clara de que o fogo foi provocado pela mão humana.

Depois, ao longo da semana, a comunidade do entorno sofreu com a fumaça e fuligem.

União de vários órgãos foi fundamental para traçar uma estratégia de combate às chamas

COMBATE EXAUSTIVO

Liderados pela Semac e orientados pelo Corpo de Bombeiros de Bagé, equipes da própria Secretaria, bombeiros, Defesa Civil local, as empresas Transbalta, CRM e Fagundes, além de voluntários, montaram uma verdadeira operação de guerra para o combate às chamas. A estratégia inicial, especialmente pelo difícil acesso as áreas com fogo, foi evitar que as chamas chegassem em áreas residenciais e também em lavouras lindeiras.

Segundo a secretária de Meio Ambiente, Josuélem Duarte, a Jô, os proprietários rurais vizinhos a área, se mobilizaram também e fizeram os chamamos aceiros (valas) para evitar que o fogo passasse para locais com plantações.

Ainda ao longo da semana foi realizado o monitoramento da área, sendo que a chuva ajudou na diminuição dos focos e da fumaça. “Não temos certeza se todos os focos cessaram, pois tem muitos locais que não dá para entrar”, explica Jô.

PREOCUPANTE

O comandante do Pelotão do Corpo de Bombeiros Militar de Bagé, 1º tenente Ricardo de Freitas Toniazzo – que assumiu há cerca de 10 dias a função, avalia a situação como muito preocupante, especialmente pelas situações constantes de estiagem que a região vive. Ele chama atenção que para além da questão ambiental, que é grave, tem também a questão econômica, quando plantações são atingidas.

Toniazzo afirmou que apesar do Pelotão de Bagé estar pronto para atender qualquer tipo de ocorrência, por atender diversos municípios, a demanda é grande e em muitos casos a resposta fica prejudicada em razão das distâncias. “Essa é uma preocupação nossa e que pretendemos construir algo diretamente com o comando e os municípios. Quem sabe o caminho seja um trabalho de parcerias como acontece em Candiota, onde existe uma equipe e uma Defesa Civil atuantes, e que prestam apoio diante de ocorrências como no caso dos últimos incêndios até a chegada da guarnição, sendo muito importantes e fundamentais na redução de consequências”, aponta.

O comandante também pede a conscientização da população em relação às queimadas. “Precisamos conscientizar as pessoas, mas nos casos mais graves, é necessária, quando possível, a responsabilização pelos atos”, avalia Toniazzo, lembrando que as pessoas, muitas vezes, querem fazer o manejo de uma área, uma limpeza, como se fazia antigamente, porém, esclarece, que hoje em dia não se pode e não se deve mais fazer isso.

SEMAC

O TP conversou com a secretária Jô, que fez uma avaliação da situação, bem como algumas considerações importantes. Reafirmando o caráter criminoso do incêndio, ela lamenta que ainda não se conseguiu identificar a autoria desse e outros incêndios, pelas dificuldades, mas que já há um monitoramento e suspeitas. Ela pede para que as pessoas denunciem qualquer movimentação estranha. “Se a gente conseguir identificar, por ser um crime, dá cadeia e multa”, destaca.

Sobre o fato de não ter mais Bombeiros em Candiota, Jô pondera, que isso, num caso como esse, de um incêndio de grandes proporções, não é o que faz a diferença. Ela lembra que a corporação, baseada em Bagé, se deslocou assim que chamada e atuou direto, junto com todas as equipes, inclusive destacando que eles foram fundamentais em traçar a estratégia de combate. “Então foi uma questão de estratégia mesmo, com monitoraramento, de molhar para não deixar passar o fogo. Foi uma operação bem mais estratégica do que propriamente de combate mesmo. Mesmo que tivesse um Corpo de Bombeiros com mais de 20 pessoas em Candiota não teria o que fazer”, assinala.

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