COM USO DO CARVÃO MINERAL

Com testes já eficientes, Seival Sul Agro aguarda licença para implantação de indústria de fertilizantes em Candiota

Com projeto piloto são produzidas 30 toneladas de fertilizantes organominerais e com a indústria os números podem chegar a 10 mil toneladas ao mês e cerca de 280 empregos diretos e indiretos

Fertilizante apresentou teste eficiente Foto: Divulgação

Há cerca de dois anos de implantação de um projeto piloto em Candiota, a empresa Seival Sul Agro, do grupo Copelmi, que também detém a Seival Sul Mineração no município, possui resultados positivos quanto a produção de fertilizantes a partir do carvão mineral, abundante na região.

Conforme informado ao TP, já está sendo produzido o fertilizante marca Pampa Forte, que apresentou resultados de extrema eficiência no que se refere à pesquisa ou aceitação dos produtores.

Estrutura possui, atualmente, capacidade de produção de 30 toneladas

Ao Tribuna do Pampa, o gestor do projeto Felipe Weinschenck de Faria, explicou que o fertilizante produzido a partir do carvão apresenta o mesmo resultado de um equivalente químico. “É a mesma produtividade, sendo o produto de maior eficiência agronômica, na medida que ele aporta além dos constituintes macro, nitrogênio, fósforo e potássio, também de matéria orgânica e capacidades de trocas catiônicas (CTC). Os testes comprovam a eficiência do Fertilizante Organomineral, obtido a partir de um carvão mineral de baixo rank ou baixo grau de carbonificação, classificado como linhito, que se demonstra eficiente na mesma produtividade, com um ganho de qualidade para o solo do produtor. Temos um produto que mantém o solo mais equilibrado”, explicou.

Planta piloto foi instalada em área já minerada e recuperada. No futuro, local deverá abrigar planta indústrial de fertilizantes

Atualmente são produzidas 30 toneladas por mês na planta piloto e o nome do produto surgiu pela localização, em Candiota, no Pampa Gaúcho. “O Pampa Forte está sendo distribuído, divulgado no mercado, a partir da produção em escala piloto, que teve a unidade montada no fim de 2024, para que se pudesse levar ao mercado, aos institutos de pesquisa essa produção para demonstrar a eficiência do produto”, explicou o gestor.

PLANTA INDUSTRIAL

Segundo Felipe, a planta industrial está em fase de licenciamento de implantação e a expectativa da empresa a partir da do licenciamento ambiental é a implantação da indústria a partir de 2027, sendo concluída em meados de 2028. A planta piloto está localizada próximo a SSM, em Seival, interior do município e em área já minerada e recuperada ambientalmente. Possui dimensões de 10 x 15 m onde ocorre o processo de mistura do linhito com NPK para posterior granulação de forma a padronizar esse material para aplicação nas lavouras. “Já se tem a licença prévia, agora estamos trabalhando para licença de implantação. Hoje na fase piloto a produção mensal é de 30 toneladas e com a planta industrial, a produção mensal será de aproximadamente 55 mil toneladas ano na fase 1 e 10 mil toneladas ao mês na fase 2, o que nos dá em torno de 11 meses trabalhados e se chega a 110 mil toneladas ao ano, com cerca de 75 empregos diretos e, se somados aos indiretos, pode se chegar a 280 no total”, ressaltou.

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA JUSTA

O uso do carvão mineral, em abundância em Candiota, está nas tratativas para a ocorrência de uma Transição Energética Justa e a produção dos fertilizantes é considerada uma alternativa para o futuro da região e do Estado. “É uma grande oportunidade e de interesse da região em termos geração de emprego e renda não só para o município e região, como o Estado do Rio Grande do Sul. Não é o uso do linhito apenas para a geração de energia elétrica, também para outros fins, incluindo a redução de importação de matéria-prima mineral. A empresa vê com bons olhos esse projeto, o produto está alinhado com o plano nacional de fertilizantes e aguardamos as licenças para se obter a indústria e produção em grande escala”, finalizou.

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