Cada vez mais precisamos nos preparar para a severidade e intensidade do clima. A crise climática é inegável, apesar de ter gente que negue e ache que obras de saneamento básico resolvem a questão. A humanidade está vivendo tempos difíceis, em que até o clima resolveu ficar extremo.
A situação é grave e muito séria, exigindo atitudes concretas para enfrentar esse fenômeno provocado por um sistema industrial perverso de consumo desenfreado e utilização descartável de bens duráveis.
A terra está mais quente devido aos gases de efeito estufa. Isso tem provocado não os fenômenos e desastres naturais que o planeta produz em toda sua existência, mas sim uma frequência dessas situações que jamais vimos antes. O Rio Grande do Sul, por exemplo, parece ser uma parte do planeta que é bem atingida por essa repetição. Nos últimos anos, o Estado vem sofrendo com acontecimentos climáticos de todas as ordens, desde enchentes, secas e até mesmo tornado, com uma constância jamais antes vista e é nisso que os cientistas fundamentam a crise.
É urgente o debate sobre esse novo normal. Além dos esforços para a redução planetária do efeito estufa (e neste ponto as grandes potências industriais que devem arcar com a maior fatia), também é preciso reestruturar nossa infraestrutura urbana e rural. A arquitetura e engenharia de nossas casas, prédios e telhados precisam de modificação. As redes elétricas e de internet precisam ser repensadas. O escoamento das águas com os grandes volumes de chuvas precisa de obras de grande monta e investimentos pesados.
A humanidade está vivendo tempos difíceis, em que até o clima resolveu ficar extremo.
Por outro lado precisamos analisar os transtornos que milhares de pessoas sofreram no RS, especialmente na região, devido aos eventos climáticos recentes. Os estragos foram consideráveis, porém ainda é lenta a resposta da Equatorial Energia, que precisou de quase duas semanas para recompor o sistema elétrico, com as famílias perdendo produção, alimentos e precisando se desalojar por um simples banho quente.
As comunidades se levantaram em protestos justos, reivindicando mais e melhor atendimento, com agilidade e efetividade. O debate sobre a privatização da distribuição elétrica esteve no centro novamente durante esses dias, com muita gente questionando o processo de venda da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). Se vê uma evolução organizativa da empresa, porém muito aquém dos desafios. Aqui vale pontuar o esforço quase sobre-humano dos trabalhadores da concessionária em atender os milhares de chamados abertos e na grande maioria deles com postes caídos ao longo do caminho. Eles trabalharam no limite do aceitável.
A situação, portanto, é esta, fazer o debate político tanto do ponto estrutural e de aumento da resiliência perante os episódios do clima cada vez mais habituais, como também cobrar das autoridades, por se tratar de uma concessão pública, de mais eficiência, contingência, equipe e rapidez no restabelecimento da energia elétrica, que além de essencial à vida, também influencia diretamente no acesso à internet, telefonia e no abastecimento de água das comunidades.
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