A corrupção, que é uma palavra para definir um desvio de conduta intimamente ligado a ética humana e que nos remete imediatamente a vários crimes, especialmente financeiros. Corrupção vem de corromper, extorquir, alterar o curso normal das coisas, ludibriar, encobrir, sacanear, falsificar, chantagear, tirar vantagem indevida, entre outras várias práticas criminosas.
Também, a corrupção é um mal que acompanha a humanidade, talvez, desde os primórdios, infelizmente. Vale pontuar, que ela é tanto pública como privada, sendo que muitas vezes elas se misturam. A pública é a pior delas, pois atinge toda uma coletividade, mas geralmente tem participação direta dos entes privados.
Nos últimos tempos, especialmente no Brasil, os escândalos de corrupção acontecem em série. A sensação geral das pessoas é que os níveis são altíssimos. Mas talvez não seja bem isso e não passe mesmo de impressão, senão vejamos.
Desde a Constituição de 1988, com a redemocratização do país, o Brasil vem criando e fortalecendo diversos sistemas de controle. Temos um Ministério Público extremamente atuante e empoderado. Os portais da transparência, os controles internos, os sistemas informatizados, os tribunais de contas, a Lei de Acesso a Informação (LAI), as polícias especializadas, a imprensa livre, os legislativos, entre outros tantos mecanismos de fiscalização, fazem com que a sujeira pare de ficar embaixo do tapete.
Estamos numa democracia, senão plena, mas com instituições em funcionamento regular. É por isso que conseguimos ter acesso aos escândalos, como esse de Pinheiro Machado (…)
É preciso ter cuidado em classificar algum esquema como o maior da história de algum lugar, justamente porque o Brasil passou por um Império, depois por repúblicas velha e nova, diversas ditaduras e jamais teve um sistema de controle tão aperfeiçoado como agora. Como se revelam escândalos de corrupções em ditaduras, por exemplo? Na maioria das vezes são abafados, escondidos e coagidos aqueles que tentam expor algo. Por isso, o ideal é classificar, por prudência, como o maior que já foi descoberto até hoje, pois com certeza muito malfeito ao longo de nossa história jamais veio à tona e por certo eram grandiosos.
Estamos numa democracia, senão plena, mas com instituições em funcionamento regular. É por isso que conseguimos ter acesso aos escândalos, como esse de Pinheiro Machado, que veio a publico esta semana, provando que a corrupção ocorre nos mais variados níveis da República.
É nosso dever nos horrorizar, nos indignar e exigir das autoridades as punições exemplares de quem for culpado, além da restituição, na medida do possível, aos cofres públicos daquilo que foi desviado.
Jamais haveremos de normalizar atos de corrupção, muito pelo contrário. Mas temos que ser cientes de sua inerência num sistema que é originário do individualismo e do poder econômico. A corrupção é epidemia e para o seu combate precisamos estar sempre criando vacinas poderosas, antídotos e sistemas de controle que os tragam a luz e que dificultem suas práticas, além, como já dito, de punir com rigor quem a pratica, ainda mais se forem em áreas sensíveis à toda uma sociedade.
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