Dia do Trabalho

Maio começa com homenagens aos trabalhadores ou reflexões a respeito do trabalho, que vem passando por momentos conturbados dada a pouca relevância que vem sendo dada a importância do trabalho e a possibilidade, cada vez mais presente, de que o trabalho se torne desnecessário em razão da inteligência artificial e dos robôs.

Nunca fui um trabalhador convencional, uma vez que só tive carteira de trabalho assinada uma vez e com 24 anos já era um auditor federal, mas fico pensando em como deve estar pensando um trabalhador jovem de hoje. O que ele vê?

Atletas de diversas modalidades, jogadores de futebol ganham fortunas.

Cantores ganham fortunas e nem precisam saber tocar ou compor.

Influenciadores (ou influencers) ganham fortunas postando bobagens ou dancinhas na internet.

Empresários ganham fortunas querendo ir à lua ou marte.

E o que ganham quem faz coisas normais? Os que trabalham na roça, os que atendem supermercados, os que constroem residências, os que dirigem carros de aplicativos, os que consomem seus dias nas indústrias de carne ou na mineração?

Estive na Expodireto recentemente e vi máquinas que substituem com muito mais eficiência mil homens ou mais e quase não precisam de operador.

Então vêm os ricos, que ficam mais ricos todos os meses a cada vez que sai uma estatística e dizem: – como vamos pagar as aposentadorias dos que estão ficando velhos?

Passaram décadas desde que ouvi pela primeira vez que o Brasil era o país do futuro, mas as elites brasileiras nunca entenderam que o bem estar social se obtém com justa distribuição de riqueza.

Faz mais de 90 anos que trabalhávamos usando carroças e máquinas de escrever rudimentares, sem computador, sem telefone, sem internet, sem inteligência artificial e a jornada de trabalho era de 48 horas semanais. Com toda evolução estamos discutindo se é razoável trabalharmos 40 horas por semana.

(…) se dependesse das elites desse país, pobre serve mesmo é para os da elite acreditarem que são ricos.

Em 1932 foi instituída a jornada de trabalho de 48 horas semanais no Brasil. Levou 56 anos, até 1988, para que fosse reduzida para 44 horas semanais e mais 38 anos, se é que vai acontecer, para reduzir para 40 horas.

Sabem quantas horas trabalham os que vão decidir se a jornada vai cair para 40 horas? Senadores e deputados trabalham de terça-feira de tarde até quinta-feira de manhã em Brasília. Mas vamos ressaltar que esses pobres coitados têm de ir à Brasília na terça-feira de manhã, de avião, e voltam aos seus estados na quinta-feira à tarde. Deputados e senadores custam ao país R$ 2,5 milhões por mês (basta dividir o orçamento da Câmara dos Deputados mais o orçamento do Senado pelo número de deputados, 513, mais o número de senadores, 81. Ah! Sempre vai ter quem não sabe que tudo que existe na Câmara e no Senado é para que os deputados e senadores votem.
O presidente do Senado, que teve uma grande vitória ao não aprovar um ministro do Supremo, junto com o presidente da Câmara, que teve uma grande vitória ao derrubar o veto de Lula, para reduzir penas de golpistas, agora terão de amargar a suprema derrota de ter que acabar com a escala 6×1 proposta pelo governo. Goela abaixo, que se dependesse das elites desse país, pobre serve mesmo é para os da elite acreditarem que são ricos.

Comentários do Facebook