CASTELO DE PEDRAS ALTAS

Entrega da 4ª etapa do restauro permitirá que visitantes façam uma volta no tempo

Quartos ocupados pela família Assis Brasil após a construção do patrimônio poderão ser visitados

Um dos cômodos ocupados pela família Assis Brasil Foto: Paulo Rossi/Especial

O dia 10 de abril foi marcante e emocionante principalmente para a família Segat, proprietária do Castelo de Pedras Altas. Aconteceu a cerimônia de entrega da 4ª Etapa do restauro e revitalização do patrimônio que pertenceu ao político, diplomata, intelectual e produtor rural gaúcho Joaquim Francisco de Assis Brasil (1857–1938). O evento aconteceu no jardim do Castelo de Pedras Altas reunindo representantes do Governo do Estado, órgãos de preservação do patrimônio, autoridades municipais, empresas patrocinadoras, equipe técnica do projeto e comunidade.

Cerimônia marcou finalização da etapa

O patrimônio que costuma receber turistas em visitas guiadas, com a entrega da 4ª etapa vai ter mais um espaço disponível para ser visitado. Conforme explicou ao Tribuna do Pampa, o advogado e pai dos proprietários do Castelo, Luiz Carlos Segat, os visitantes vão ter acesso à parte superior aonde estão localizados os quartos, e também ao terraço e as torres, onde poderão conhecer a mobília – os móveis, as camas, alguns da época que o castelo estava sendo habitado pela família Assis Brasil. Segat também destacou a importância do momento para toda família. “Então vai ser uma volta no túnel do tempo para todos que vierem aqui. É o momento de concretização de um trabalho feito por muitas mãos. Para nós esta etapa é motivo de alegria e realização, pois agora conseguimos ver nitidamente todas as etapas realizadas”, afirmou Segat, informando também que os visitantes também poderão realizar passeios à cavalo na propriedade. As visitas podem ser agendadas através do Instagran @castelopedrasaltas.
Segundo lembra a gestora cultural Cristina Scheider, o projeto de Restauro e Revitalização do Castelo de Pedras Altas – 4ª etapa foi aprovado em 2024 e é financiado pelo Pró Cultura RS, da Secretaria da Cultura e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), com investimento de pouco mais de R$ 2 milhões, além de R$ 80 mil de recursos da Prefeitura de Pedras Altas.

A etapa contemplou a execução das instalações elétricas e pinturas internas do segundo ao último pavimento, tratamento de infiltrações decorrentes de fissuras nas ameias, cimalhas e paredes, intervenções nas chaminés e revestimentos das faces internas e capas das ameias dos terraços, além da construção da galeria de drenagem e ventilação.

O projeto também realizou ações educativas e de formação de público, incluindo a realização de um concurso cultural para seleção de participantes em visitas guiadas e uma ação educativa de artes cênicas voltada a 250 jovens da rede pública e comunidade, com acesso gratuito.

PRÓXIMA ETAPA

Ainda segundo Segat, a próxima etapa do restauro irá compreender o subsolo. “Já temos um andar pintado, iluminado, mobiliado, agora vão ser trocados no subsolo o reboco, fiação, encanamento, realizada pintura”, relatou.
Importante lembrar que a longo prazo, a iniciativa prevê a implantação de um Museu do Território no Castelo de Pedras Altas, com o objetivo de valorizar a paisagem cultural, a memória social e o patrimônio arquitetônico do local, fortalecendo o desenvolvimento cultural e turístico da região.

O projeto é realizado pela Associação Castelo de Pedras Altas, entidade sem fins lucrativos criada em 2022 com o objetivo de mobilizar esforços para a preservação e restauração do conjunto patrimonial do Castelo. A iniciativa conta com patrocínio das empresas Plasbil, Rede Super, Coradini e Podal, além do apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), da Prefeitura de Pedras Altas e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

SOBRE O CASTELO

O Castelo foi construído em 1913 por Joaquim Francisco de Assis Brasil (1857–1938), político, diplomata, intelectual e produtor rural gaúcho. A edificação, inspirada em castelos medievais e construída com granito rosado da região, integra o complexo da antiga Granja de Pedras Altas, projeto pessoal de Assis Brasil voltado à modernização da produção rural brasileira. Com 44 cômodos e um acervo histórico de grande relevância, o castelo abriga mobiliário e objetos trazidos da Europa e das Américas, além de uma biblioteca com cerca de 15 mil volumes em latim, inglês e português. Entre os exemplares raros estão volumes da enciclopédia de Diderot e d’Alembert (1751), um exemplar do Alcorão em árabe e uma edição russa da Bíblia de 1904. O conjunto constitui hoje um dos mais importantes acervos culturais familiares do Rio Grande do Sul. Além de seu valor arquitetônico e cultural, o Castelo também possui relevância histórica. Foi cenário da Revolução de 1923 e local da assinatura do Pacto de Pedras Altas, acordo que encerrou o conflito.

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