O financiador do tráfico

Embora esta semana seja marcada pela COP 30 sobre meio ambiente, vou continuar no tema que por alguns dias ainda vai estar na pauta, o combate ao tráfico de drogas.

Como o assunto é político e a ação no Rio de Janeiro que matou 121 pessoas também teve motivação política continuo analisando. Os partidos políticos brasileiros que adoram botar armas nas mãos de bandidos são os mesmos que acham que bandido bom é bandido morto.

Se eu morasse numa dessas favelas ou comunidades do Rio de Janeiro dominadas pelo tráfico, provavelmente, como a maioria do povo do Rio de Janeiro, segundo pesquisas, também seria a favor de alguma operação para matar uns quantos. Porém, eu não vivo lá. Tenho que analisar como alguém mais racional.

Falam em classificar Comando Vermelho como grupo terrorista. Não vi um desses falar em como classificar quem financia o Comando Vermelho. Escrevo como me pedem os jovens, seja direto.

Não há como fazer de conta eternamente que o consumidor que financia o tráfico não tem nada com isso.

Quem financia o Comando Vermelho são os consumidores de drogas.

Agora vou analisar de forma mais ampla.

–              Quem financia a indústria de cerveja? – Quem consome cerveja.

–              Quem financia a indústria de cigarro? – Quem consome cigarro.

Quem financia tudo que é produzido é quem consome.

–              Quem financia os ladrões de celulares? – Quem compra celulares roubados ou peças destes celulares para a manutenção de celulares estragados.

–              Quem financia o roubo de alianças de ouro? – Os receptadores de ouro roubado e quem compra objetos de ouro.

Tão importante quanto classificar o traficante como terrorista é classificar o consumidor de drogas como financiador do terrorismo.

E aqui mora o problema.

Se em todo Rio de Janeiro drogas são consumidas, as mais caras são consumidas na zona nobre, Barra da Tijuca, Leblon, Ipanema, Laranjeiras, Lagoa.

Quem vai classificar ricos consumidores como terroristas financiadores do tráfico?

–              Então não tem solução?

–              Para a compra e venda de drogas não.

Onde há bebum tem botequim e cachaça, onde tem dinheiro grosso tem ladrão e onde há consumidor de drogas tem traficante.

O que é possível, não em pouco tempo, é o Estado ocupar os territórios dominados por gangues acabando com a extorsão dos empresários e das pessoas que têm de pagar pedágio a bandidos. É possível, com “inteligência” prendendo pontualmente quem aplica este tipo de golpe.

Uma legislação que penalize o traficante e o consumidor precisa ser implementada. Não há como fazer de conta eternamente que o consumidor que financia o tráfico não tem nada com isso.

JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO

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