Enquanto escrevo continua o julgamento dos envolvidos na trama golpista que pretendia dar um golpe de Estado e se manter no poder após a derrota nas urnas em 2022. Lembro que na época escrevi que o golpe não sairia porque o líder era o Bolsonaro. Se fosse para colocar um general teria saído, mas os generais manter no poder um destrambelhado como Bolsonaro não era coisa viável. Os generais da reserva topariam correndo porque estavam beneficiários do sistema, mas os da ativa não tinham motivo para apoiar o golpe e não apoiaram, a maioria.
Às vezes eu erro. Naquela ocasião acertei.
Quem conhece minha opinião sabe, mas cabe repetir, Bolsonaro deveria ser julgado pelas 250 mil pessoas que morreram de Covid-19 por influência direta do mesmo, que incentivou a aglomeração, o não uso da vacina, o desrespeito às medidas preventivas como o uso de máscaras, o distanciamento e ainda foi negligente como governante ao não providenciar no devido tempo vacinas e campanhas de vacinação. Se pegasse um ano de prisão para cada mil que morreram em muito graças ao seu comportamento errôneo, levaria um total de 200 anos de prisão no mínimo.
Pela vontade de Bolsonaro evidentemente escancarada na época, de dar um golpe de Estado a seu favor, sou mais comedido. O golpe acabou não saindo, o que não significa que deva ficar impune porque não saiu. Condenados, os líderes vão pegar uns anos que não me importa muito quantos. Se a jovem que pichou a estátua na frente do Supremo Tribunal Federal pegou 14 anos, os líderes devem levar quantos? Muitos. Mas não vão levar nem perto do que seria justo feita a proporção.
… em se tratando de escaramuças políticas eu sempre prefiro que tudo se resolva no voto.
Em razão destas, na semana passada e em alguns outros momentos, eu cheguei a escrever que sou favorável a uma anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 porque eram na maioria jovens e não caberiam penas pesadas demais a jovens que nem sabiam direito o que faziam em nome de falsos líderes que para se defenderem chamaram os mesmos de aloprados. Porém, o termo anistia nos meus textos está errado, eu quis dizer que sou favorável à redução de penas, o que não é a mesma coisa que anistia.
Quando estou encerrando a coluna está votando o ministro Cristiano Zanin que deve consolidar um placar de 4 a 1 no mínimo para cada uma das cinco acusações contra os acusados. O voto do ministro Luiz Fux a favor da não condenação de quase todos os acusados e que apenas condenou dois por uma das acusações pode dar margem a algumas escaramuças, mas nada relevantes. O voto deste ministro, indicado por Dilma Rousseff para compor o Supremo Tribunal Federal, longo, analisando ponto a ponto como se os pontos não tivessem relação uns com os outros, pareceu bem esquisito para qualquer um que conhece os pareceres históricos deste ministro. Mas é a avaliação dele.
Por fim, em se tratando de escaramuças políticas eu sempre prefiro que tudo se resolva no voto. Acredito que no ano que vem, se Lula for candidato vencerá com folga qualquer um da oposição. Lula paz e amor chegará com emprego em alta, bolsa de valores batendo recordes, e vem aí um vale-gás, coisa simples, mas com reflexo significativo.
Caberá ao Supremo nos próximos meses dias ser moderado na dosimetria da pena. Não é necessário humilhar (mais que com a derrota) os perdedores.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO



