Lizia Galarce fez o lançamento do livro do Teatro Ludovico Pórzio Foto: Arquivo pessoal
“Para Além da Enchente: Racismo Ambiental”, uma obra que propõe uma reflexão sobre as classes mais atingidas pelos desastres naturais que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024. O trabalho teve origem na tese de conclusão da pós-graduação em Inovação Jurisdicional, desenvolvida pela pinheirense Lizia Galarce, e, em razão de seu destaque e relevância nacional, acabou sendo transformado em livro e publicado pela Editora Mege.
O lançamento oficial do livro aconteceu no mês de junho, no Teatro Lodovico Pórzio, em Pinheiro Machado, reunindo familiares, amigos e autoridades do município. “Confesso que não imaginava estar aqui, em junho de 2026, lançando um livro. Me formei na graduação em direito no ano de 2013 e, desde então, nunca parei de estudar. Eu trato o estudo como um segundo trabalho e, com algumas exceções, chego todos os dias no mesmo horário, sento na mesma cadeira e leio muito conteúdo jurídico. Escrevi uma pesquisa científica, com o objetivo produzir um trabalho acadêmico honesto. O reconhecimento que veio depois, com o trabalho aprovado com nota máxima e que ganhou essa oportunidade de alcançar um público maior por meio desta publicação pelo Curso Mege, um dos mais conceituados no país em preparatório para carreiras de alta exigência, como a Magistratura, fugiu completamente do meu controle. E talvez seja por isso que este momento tenha um significado mais especial, porque este livro não nasceu da ambição de publicar uma obra, mas da disposição de estudar e compreender uma realidade social desconfortável: as pessoas não sofrem as consequências das mudanças climáticas da mesma maneira”.
Familiares, amigos e autoridades prestigiaram o evento
Conforme a autora, “Para Além da Enchente traz uma reflexão e um alerta para a urgência do reconhecimento do racismo ambiental, inserindo o tema na pauta política de enfrentamento da crise climática e na criação de políticas públicas efetivas de inclusão. Além disso, é um convite para enxergarmos as estruturas invisíveis que, há séculos, determinam quem estará mais exposto ao perigo, quem perderá tudo primeiro e quem encontrará mais obstáculos para recomeçar”, destaca.
Lizia reafirma que “embora a chuva caia sobre todos, o peso da lama escolhe endereço — e esse endereço tem cor, tem classe e tem história. Essas pessoas não estão ali porque escolheram o risco. Elas estão ali porque gerações de desigualdade, de racismo estrutural, de exclusão do acesso à terra urbanizada e de insuficiência de políticas públicas, limitaram suas possibilidades. A vulnerabilidade foi construída ao longo da história no país”.
Quanto à expectativa futura pela obra, a autora afirma esperar que possa “ampliar o debate sobre o racismo ambiental no Brasil, incentive novas pesquisas e, principalmente, desperte empatia. Porque nenhuma política pública eficaz nasce sem que antes exista consciência social do problema”, destacou.
A obra estará disponível em breve para aquisição através da Editora e Cursos preparatórios Mege.
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