Sem taça, sem estrela e sem vergonha

Eu quase nada abordei nessa coluna a respeito da copa do mundo de futebol. Só alguém que conhece muito pouco de futebol para acreditar que uma seleção que entrou em quinto lugar nas eliminatórias da América do Sul poderia vencer. Porém, copa do mundo é negócio e os meios de comunicação são os maiores interessados em promover o evento que pode ser muito lucrativo e está sendo.

Com uma convocação feita em grande estilo, embora de qualidade técnica altamente discutível, e partida do aeroporto com direito a transmissão televisiva em tempo real foi se formando um público que em boa parte nunca viu a seleção brasileira ser campeã do mundo e não vai ver tão cedo. A juventude, todos podemos perceber, vem se afastando de todos os esportes e o futebol é um deles. Cada vez temos menos campos de futebol, menos times de futebol profissional, os eventos esportivos interessam menos e assim surgem menos atletas de alto nível. Futebol é coisa para veteranos e crianças até 10 anos. Entre jovens e adultos muito poucos praticam. O celular é prioridade de diversão.

Mas volto ao futebol e aos selecionados.

Não há mais uma seleção brasileira de atletas comprometidos com o Brasil. O jovem entra na escolinha de futebol pensando em jogar na Europa. Convocados são um seleto grupo de milionários que colecionam carros de luxo, aviões, helicópteros, iates, bolsas, relógios, jóias e vivem com mulheres que são modelos influencers.

Para jogar futebol é preciso de alguma habilidade, perseverança e esforço físico e é aqui que a grande maioria abandona o esporte. Daí que é entre os jovens que comem mal e estudam pouco que temos os que buscam no esporte a única alternativa de futuro. Porém, não dá para dizer que esses jogadores milionários, que jogam na seleção, não tiveram acesso à educação. Pelo contrário, tiveram de estudar, aprender a se comportar, a fazer posts para as redes sociais, a falar em público, a dominar diversos idiomas. Não são idiotas.

Porém, nada mais vergonhoso pode haver para encerrar uma jornada fiasquenta, que o retorno da delegação em avião fretado com apenas um dos 26 jogadores.

Contudo, aprenderam a adorar o dinheiro, a exposição pública, a ostentação, a conviver com as selesposas ou mulheres-troféus como são chamadas hoje as antigas marias-chuteiras. E o que é pior, atualmente temos as famílias e os parças. Cada jogador leva para a copa uma família, amigos e uma equipe para faturar com as imagens nas redes sociais.

A imagem que lembrarei do Vinícius Júnior na copa é dele dando entrevista após a derrota com lindíssimos brincos de diamantes. É o que ele tem para oferecer, a ostentação. Não é pior que o Neymar fazendo fiasco, mas este só tem fiasco para oferecer faz tempo e recentemente imagens do seu novo iate de R$ 120 milhões.

Porém, nada mais vergonhoso pode haver para encerrar uma jornada fiasquenta, que o retorno da delegação em avião fretado com apenas um dos 26 jogadores. É claro que o treinador também não veio. Ninguém, exceto o Danilo, lateral, para encarar de perto um povo que acreditou, em algum momento, que tinha muito para aplaudir quem merece muitas vaias.

O treinador tem enorme dificuldade para elaborar uma frase e faz embaixadinhas pior que eu, que tenho a mesma idade dele. Jovem foi um grande jogador e se um dia foi um grande treinador está na hora de parar. Se borrar de medo da Noruega se explica se estiver senil.

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