Os deputados e senadores brasileiros são o que são e não vão deixar de ser. Nem com eleições ano que vem, quando muitos dizem que precisamos votar certo. Não vamos votar certo. Isso é impossível.
Os deputados e senadores saem do meio do povo, são os representantes do povo e são as pessoas com quem o povo se identifica. Os do povo não eleitos fariam exatamente as mesmas coisas que fazem os eleitos, se pudessem ser eleitos.
O tempo que um cidadão, seja quem for, leva para aderir a todas as safadezas, malandragens e corrupções que ocorrem entre os parlamentares é o decorrer do dia da posse. No dia seguinte, nomear assessores fantasmas, fazer rachadinhas, obter vantagens pessoais em razão do cargo, botar gasolina com verba pública no carro da esposa e filhos, desviar de maneiras diversas as chamadas ‘verbas do gabinete’, pagar integralmente assessores que aparecem para trabalhar eventualmente, negociar cargos para amigos sabidamente incapazes e incompetentes, manter escritórios nos estados para justificar verbas gastas ninguém sabe como, tudo passa a ser normalidade.
E não vai mudar. Os dois primeiros europeus que passaram uma noite em terra no Brasil foram dois degredados que Cabral largou entre os índios para testar se os índios eram canibais. Os índios não eram canibais e os degredados estavam muito fedorentos, como todos na expedição, e não serviam de carne boa para um assado. Ao ir embora, Cabral deixou em terra um degredado que foi o primeiro europeu a habitar o país, segundo a narrativa oficial. A origem não é das melhores sob o aspecto moral.
… não se cansam de passar
vergonha que não têm.
Dia desses, os deputados aprovaram a Lei da Impunidade. Os senadores, diante da ampla repercussão negativa, resolveram descartar tamanha falta de vergonha na cara pública de nossos ‘nobres’ parlamentares deputados. Mas não se enganem, descartaram em razão de haver eleições em breve.
No reino da picuinha que virou Brasília, ninguém se entende. A Polícia Federal chegou no comando do PCC e Brasília entrou em polvorosa. Para complicar, o glorioso Banco Central Independente (independente dos pobres), que mantém a taxa Selic em 15% para fazer a ‘sintonia fina’ da economia, não viu, e isto é muito interessante, ‘não viu’ a imensa falcatrua no Banco Master, coisa de algumas dezenas de bilhões de reais, no focinho da elite econômica e dos baluartes dos sábios da economia, mas antes muito tarde do que nunca interveio e o escândalo chega ao centro da elite política do centrão que habita no Congresso Nacional.
Então é preciso se divertir:
– Põe na pauta o PL da dosimetria;
– Põe na pauta a cassação da Zambeli, do Eduardo, do Ramagem.
Sobrou até para um tal deputado Glauber Braga, que andou chutando a bunda de um desafeto e quase foi cassado por falta de decoro.
Na verdade, todas as lambanças têm a ver com a liberação de emendas dos deputados, chiliques porque o amigo do presidente do Senado não foi indicado para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O que ninguém fala é quanto ganha a periferia do ministro do Supremo, aquele escritório de advocacia da esposa ou dos filhos do ministro. Outros tititis.
Os deputados que não cassaram Zambeli, condenada em última instância, foragida e presa na Itália, não se cansam de passar vergonha que não têm.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO

