20 de setembro. A data mais importante para a história do Rio Grande do Sul e para a lembrança dos seus filhos, dentre eles quem vos escreve. Já registrei aqui uma obra a esse respeito, qual seja o “Cancioneiro da Revolução de 1835”, de Apolinário Porto Alegre, publicada ao ensejo do primeiro centenário da Revolução Farroupilha com poemas que refletem o contexto histórico, os heróis farroupilhas e os costumes do povo gaúcho à época do conflito travado contra o poder central do Império brasileiro. E reitero, pois, a sugestão de leitura. Sigo, no mais.
Já escrevi, de igual maneira, acerca de muitos gaúchos ilustres, dentre eles Gaspar Silveira Martins, Joaquim Francisco de Assis Brasil e Paulo Brossard de Souza Pinto. Todos eles carregaram consigo “o entusiasmo pela liberdade, o ódio e a aversão pelo despotismo”, sentimentos congênitos com o gaúcho, percorrendo além de suas fronteiras, transbordando e levando“a fama de seu torrão natal até os derradeiros limites das nações civilizadas”. Que legado deixaram nossos antepassados? Onde as bibliotecas? Onde os museus? Onde as academias? Onde as manifestações das letras, artes e ciências? Manter essa chama acesa é nossa obrigação.
Não se diga que somos homens de guerra, ao contrário do que falam muitos por aí. Não devemos ser resumidos a isso. Ao contrário, tal como Julio Maria Sanguinetti escreveu, “el gaucho es el, especie de Centauro que une la inteligencia humana a la fuerza primitiva”. Força, sim, mas adorno também, sendo que “onde circula nas artérias sangue em que superabundam os glóbulos rubros, há nervos e músculos em serviço da inteligência pujante”.
Escrevemos sobre 20 de setembro, é bem verdade. E, ao escrevermos sobre essa data, rememoramos uma guerra, a guerra de uma (então) Província (a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul) contra o poder central, de uma guerra civil que representa a mais longínqua da história brasileira, a guerra de dez anos. Inteligência houve, todavia. Muita, diga-se de passagem!
O que dizer, p. ex., do manifesto de Bento Gonçalves, de 25 de setembro de 1835: “Com este triunfo dos princípios liberais minha ambição está satisfeita, e no descanso da vida privada, a que tão-somente aspiro, gozarei o prazer de ver-nos desfrutar os benefícios de um governo ilustrado, liberal e conforme os votos da maioridade da província”.
Ou mesmo do texto de Proclamação da República Rio-Grandense, de 06 de novembro de 1836: “Unamo-nos outra vez […]. Todavia, se por uma cruel fatalidade a deusa das vitórias não segundasse vossos esforços, pereçamos antes de entregar nossas mãos aos ferros do cativeiro: […]. O nome dos rio-grandenses será, então, recordado com respeito e desejos pelas nações do universo, que, admiradas de tanto valor e tanto patriotismo, dirão: ali existia um povo infeliz, porém virtuoso; preferiu antes morrer livre que viver escravo” –a referência a “escravo”, a mesma que está cravada em nosso hino, vem daí, não possuindo nada de racista (a referência foi ao poder central e à intransigência dos revolucionários no sentido de não aceitar a submissão a um poder que estava abusando das suas prerrogativas).
Força, beleza e… história. Eis a mensagem que deixo. E, deixando essa mensagem, louvo, por fim, esta data, o 20 de setembro!
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO

