A sentença da Justiça Federal não é uma surpresa de um todo, apesar de ser inédita no Brasil. Fica evidente que há uma desproporcionalidade em relação aos fatos concretos, onde a Usina de Candiota e o carvão mineral são colocados como vilões ambientais.
Não vamos negar que a queima indiscriminada de carvão ao longo dos últimos 170 anos em toda a Terra, desde a Revolução Industrial na Inglaterra, está causando os efeitos climáticos desastrosos de agora, com a elevação da temperatura média do planeta. Contudo, jogar a culpa dos problemas ambientais recentes e os históricos que assolam o Rio Grande do Sul, ao fato de se explorar carvão em Candiota, é de um exagero que beira a um transe.
Tudo nesta vida precisa ter proporcionalidade. O Brasil, definitivamente não é o responsável, mas nem de longe, pelo desequilíbrio ecológico planetário. Somos, ao contrário, exemplos. O Ministério de Minas e Energia (MME) acaba de divulgar que 88% da geração de energia elétrica no Brasil vem de fontes renováveis. Quais países no mundo possuem estes índices?
Sabemos que nossa dependência do carvão mineral não é salutar do ponto de vista econômico. Mas não é matando a nossa fonte de riqueza e o pouco de prosperidade experimentada por aqui, que vamos resolver a situação.
Candiota e a região não precisam de tutela judicial. Precisamos de um plano consistente e aplicável de transição energética, que seja de fato justa e inclusiva, que não deixe ninguém para trás e que abra uma porta de desenvolvimento pleno para uma região historicamente deprimida.
Sabemos que nossa dependência do carvão mineral não é salutar do ponto de vista econômico. Mas não é matando a nossa fonte de riqueza e o pouco de prosperidade experimentada por aqui, que vamos resolver a situação. Nos massacrar com sentenças judiciais e argumentos fora da realidade, causando pânico e fazendo famílias inteiras não dormirem direito, não irá amainar o problema, sequer local, quanto mais global. Há um equívoco brutal nesses comportamentos e deliberações.
Estamos dispostos enquanto cidade e região em debater a transição. Estamos num limbo em que apenas nos apontam os dedos e não nos seguram as mãos. Nos vilipendiar e agredir é aprofundar uma crise que afeta há anos esse rincão brasileiro, que está distante das grandes metrópoles e do chamado desenvolvimento contemporâneo.
Precisamos de compreensão e força política para encontrar saídas, que podem muito bem estar apoiadas em alternativas que tenham o carvão como agente (fertilizantes, por exemplo), mas também em outros caminhos, que só poderão ser pavimentados com o olhar parcimonioso do Brasil e não com fúria e inverdades.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO
