Passado o julgamento de Bolsonaro e dos principais articuladores de um golpe fracassado na origem, pois, como eu escrevi aqui na época, os militares não embarcariam numa ditadura liderada por um capitão destrambelhado. Na verdade, a maioria dos militares. Se fosse um general para assumir o comando era outra história.
Querer argumentar que todos os elementos para a realização de um golpe não estiveram em andamento é acreditar na idiotice alheia. Quartéis cercados por civis incentivados por líderes que hoje tratam os que faziam o jogo sujo em nome das lideranças como arruaceiros, aloprados, baderneiros. Gente que largou os seus liderados às agruras da lei, às prisões e aos países vizinhos para onde muitos fugiram e vivem sabe-se lá como, alguns muito mal e presos na Argentina, nos Estados Unidos.
A condenação dos líderes era esperada e nada de novo aconteceu, exceto o voto divergente de Luiz Fuchs, que tem um histórico de ser pouco confiável em suas decisões e que já decidiu enviar os do povo para o xilindró diversas vezes; os do povo que participaram do 8 de janeiro de 2023. Assim, também fez um voto apenas pela condenação, pouca, da periferia, tentando aliviar para os líderes principais.
As penas, longe de serem relevantes, ainda assim foram consideradas grandes pelos apoiadores dos golpistas. E como toda ação, já se estudava na física, provoca uma reação de igual intensidade e de sentido contrário, os deputados, senadores, alguns governadores da oposição ao governo atual foram se agrupar a favor de uma anistia. Anistia mais ou menos, que todos eles querem os Bolsonaros por longe, mas não querem perder os votos dos Bolsomínios.
Lei da blindagem pra cá, anistia prá lá. Primeiro nós, depois a gente vê o que pode fazer pelo Bolsonaro.
Ao notarem, porém, que o Supremo está condenando gente do colarinho branco, os deputados principalmente, se ativeram a salvar seus próprios lombos corruptos através de uma Lei que lhes garanta a impunidade, ainda mais agora que uns quantos ligados ao PCC estão para serem informados à sociedade. A nata da malandragem quer se blindar, inclusive com votações secretas para evitarem que seus colegas de comportamentos errôneos, quando não indecentes, ou corruptos, sejam levados ao encontro de seus destinos merecidos atrás das grades.
Lei da blindagem pra cá, anistia prá lá. Primeiro nós, depois a gente vê o que pode fazer pelo Bolsonaro.
No final das contas, farão o que eu tenho escrito aqui faz tempo. Vão diminuir o tamanho das penas; o pessoal que ativamente participou da depredação no 8 de janeiro vão cumprir uns dois ou três anos de prisão, muitos já cumpriram, os líderes vão ficar dois ou três anos na prisão e depois vão em frente num regime de prisão aberta. Bolsonaro fica em casa cumprindo seus dias de prisão e não participa da próxima eleição, e da seguinte também, e todo mundo fica feliz. De certa forma todos vitoriosos, uns porque condenaram não tanto como queriam, mas condenaram. Outros porque absolveram, não tanto quanto queriam, mas absolveram. E segue a vida.
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO


