ANIVERSÁRIOS

“Aos 34 anos Hulha Negra ainda não cumpriu questões fundamentais básicas”, expõe prefeito

Essa terça-feira (24) é especial para dois importantes municípios da região de cobertura impressa do Tribuna do Pampa – Candiota e Hulha Negra. Feriado nos dois municípios, a data faz referência a emancipação político-administrativa de dois locais que antes pertenciam a Bagé e Pinheiro Machado.
Para marcar a data, o jornal conversou com os prefeitos e presidentes das Câmaras dos municípios. Na ocasião, os gestores expuseram suas visões acerca do desenvolvimento das cidades, bem como citaram pontos importantes a serem trabalhados ao longo dos anos.

Fernando Campani está no segundo ano do atual governo Foto: Arquivo

A falta de investimentos em áreas básicas foi o principal ponto destacado pelo atual prefeito de Hulha Negra, Fernando Campani (PT) ao fazer uma análise sobre os 34 anos de emancipação político-administrativa da cidade. Em entrevista,o gestor disse ser necessário fazer uma análise profunda, despersonalizada, visto o município até hoje não ter cumprido questões fundamentais para ter o título de cidade emancipada. “Meu posicionamento é crítico e autocrítico, inclusive, pois fui prefeito no segundo mandato desta cidade e faço alguns destaques. Me preocupa que Hulha Negra seja uma cidade que ainda detém preocupação primária, que é o abastecimento de água. A cidade ainda não oferece plenamente água potável em qualidade e quantidade, sem controle nenhum de consumo”, elencou o prefeito, ressaltando também a baixa arrecadação da cidade com relação a outras da região.

PONTOS DESTACADOS

O prefeito citou as pessoas como o grande aspecto positivo do município ao longo dos 34 anos. “O povo é religioso, é pacífico, tem um pensamento coletivo, comunitário interessante. A emancipação proporcionou à população melhores condições de vida e o acesso ao serviço da Prefeitura mais próximo. O que antes era em Bagé, passou a ser na própria cidade com atendimento capaz de resolver a grande maioria dos pequenos problemas, tais como a patrola para a manutenção da estrada, a retroescavadeira para a drenagem de forma, inicialmente de forma artesanal, mas com avanços”.

O gestor citou a falta de progresso no modelo de gestão, com pouca captação de recursos estratégicos para resolver os problemas. “Não é uma crítica às pessoas, mas foi um modelo que não atendeu ao modelo desenvolvimentista necessário, a busca de recursos em todas as esferas para resolver problemas como a água, as estradas, melhorar o serviço público, dar mais capacidade de receita com a realização de campanhas de arrecadação de impostos, dos serviços básicos que não são nem cobrados na cidade como a taxa de luz e o de água que é uma forma de pagamento precária e não é paga mesmo prevista em legislação”.

ÁGUA E ESGOTO

O prefeito acrescentou que ao lado da atual gestão assumiu e se propôs a buscar soluções para muitas demandas do município. “Durante estes quatro anos vamos resolver questões e outras deixar encaminhadas para solução. A primeira delas é a água, que acumulou falta de investimento, a capacidade de receita, envolvimento público e empreendedor na busca de recursos. A ETA já está funcionando e estamos licitando a rede para levar água até a sede do município. A mesma coisa acontece com a coleta de resíduos e sistema para tratar o esgoto. Em meados de 1998 foi instalada uma lagoa de estabilização de efluente e hoje não está em funcionamento. Queremos fazer ela funcionar até o fim deste ano, início do próximo. Primeiro quero resolver a questão da água, mas é uma demanda que se cumulou, houve abandono e hoje não temos uma estrutura, apenas uma rede instalada em algumas partes da cidade que leva direto ao arroio e poluindo, um grande inquérito civil no Ministério Público, cobrando do município o abandono do sistema mínimo de tratamento de esgoto local”.

ESTRUTURA

No que se refere a falta de estrutura, Campani citou a administrativa. “A cidade, até o final de 2024, não tinha uma estrutura mínima administrativa para conduzir o saneamento básico, por exemplo. Nós, no ano passado, depois de muita discussão e sob críticas ainda, instalamos uma pequena estrutura de gestão para tratar do saneamento básico da cidade. Então nós temos uma cidade que, por mais um item, reforça a tese que ela não ganhou uma emancipação efetiva e funcional, pois não tem nem um sistema mínimo de tratamento de água, de armazenamento e distribuição”.

As estradas também foram destacadas pelo gestor. “É uma cidade que tem mais de 1.400 quilômetros de estrada, obviamente que requer investimentos, mas nós não tivemos os investimentos. Nos assentamentos tivemos famílias que não receberam o mínimo de infraestrutura adequada. Hulha Negra é uma cidade que ainda não tem uma malha viária estável ou recuperada, em condições de tráfegoo, em qualquer clima, em qualquer condição”.

PARA O FUTURO

Quanto ao futuro do município, Campani disse ser essencial sanar a pouca capacidade de receita com políticas a curto e médio prazos. Ele citou ajustes nos tributos fundamentais como já foi feito e cobrança de elementos públicos obrigatórios como a taxa de iluminação pública. “Inegavelmente, nós temos que sanar essas questões. Hulha Negra é uma das únicas cidades do Brasil que não cobra o serviço de iluminação pública. Tratar a população como incapaz é o mesmo que dizer que essa cidade não tem população capaz. Precisamos ser agressivos do ponto de vista administrativo, do ponto de vista de empreendedorismo, de buscar nas instâncias superiores o que eles devem para a cidade”.

Segundo o prefeito é importante destacar como um ponto decisivo a médio e longo prazo, a criação de estruturas atrativas para o empreendimento privado. “A cidade tem que ter uma preocupação com a evolução das empresas, sejam elas de serviços, mas, principalmente, o segmento industrial. Hulha Negra tem que ter uma economia predominantemente vertical, industrial com bom valor agregado, capacidade de geração de trabalho e renda, de beneficiamento da matéria-prima abundante. Só temos uma indústria e agora começamos a ter um horizonte com o processo de industrialização, que seja atrativo e com incentivos. Uma área pública foi adquirida há quase 30 anos atrás e não há nenhuma indústria assentada nessa área industrial na entrada da cidade. Precisamos fomentar a instalação de indústrias. Nós temos que considerar a estrutura pública como uma estrutura enxuta, capaz de prestar bons serviços, mas a grande empregadora tem que ser o setor privado, industrial, comercial de serviços. Hulha Negra tem que estar inserida no mapa de desenvolvimento. Políticas locais e políticas regionais devem ser construídas ao longo dos próximos anos com os prefeitos e lideranças, para que a região seja estimulada para oferecer oportunidades e manter a população dentro da cidade e região”.

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