Faz tempo que me sinto um sujeito impotente, algo renegado, falando da Educação oferecida na Região da Campanha. Ninguém dá bola para o que eu escrevo. É o que eu penso na maioria das vezes. Daí que volta e meio sugiro ao João André que ache um substituto para mim. Ele é insistente. Dia desses, minha irmã me falou de um debate acirrado nas redes sociais da região em razão de uma coluna que escrevi sobre terrorismo. Evidentemente que eu nada opinei em relação às opiniões dos outros. Cada um que pense o que quiser.
Dia desses questionei minha filha: – Como fazer quem não tem vergonha passar a ter vergonha? Sim, eu acho que as pessoas que cuidam da educação pública na Região da Campanha deveriam ter vergonha dos números que registram a qualidade de ensino na região.
Gabriela, que é 40 anos mais jovem que eu, me disse: – Vou perguntar ao ChatGPT, inteligência artificial, que sempre tem resposta para tudo, mesmo que invente. A inteligência artificial respondeu.
“A questão talvez não seja ensinar vergonha. Vergonha, isoladamente, costuma gerar conformismo, ressentimento ou fuga. O desafio é desenvolver senso de responsabilidade coletiva, orgulho cívico e inconformismo com a mediocridade (o negrito foi colocado pelo ChatGPT).
Se vocês fossem prefeitos por um dia, qual seria a primeira medida para tirar a cidade das últimas posições?
Se uma cidade está entre as últimas colocadas em indicadores educacionais, há dois riscos:
1) Naturalizar o problema (“sempre foi assim”).
2) Culpar apenas os indivíduos (“Os alunos não querem nada”).
Nenhum dos dois resolve.
O que funciona melhor é fazer as pessoas compreenderem três coisas:
1) Mostrar a realidade sem maquiagem.
Muitos estudantes sequer sabem onde seu município está situado nos rankings.
Por exemplo:
– Qual a taxa de alfabetização?
– Qual a nota do IDEB?
– Quantos jovens entram na universidade?
– Qual a renda média local?
– Como isso se compara com municípios semelhantes?
Quando os dados são mostrados de maneira clara, o problema deixa de ser abstrato.
Uma atividade importante seria perguntar aos alunos: “Se vocês fossem prefeitos por um dia, qual seria a primeira medida para tirar a cidade das últimas posições?” Isso transforma crítica em reflexão.
1) Conectar educação com consequências reais.
2) Construir orgulho local baseado em superação.
Continuo na próxima semana mostrando como a inteligência artificial abordou os itens 2 e 3 acima citados.
Esta semana foi publicada a média dos alunos das escolas brasileiras no Enem. A Escola Estadual Manoel Lucas de Oliveira, em Hulha Negra, ficou no antepenúltimo lugar entre as 24 escolas avaliadas na Região da Campanha e a Escola Estadual 8 de Agosto, em Candiota, ficou com o último lugar.
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