Um Brasil dividido

O Brasil que saiu das urnas no último domingo (4), novamente é um país em divisão. A diferença de menos de 2% entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), nos dá dimensão desta fratura. Mas isso é bem comum em democracias fortes. A polarização é um ingrediente bem comum pelo mundo afora. São raras as vezes que uma terceira via se cria.

Entretanto, quando se olha os números para governadores, senadores, deputados estaduais e federais, a radiografia é outra. Temos aqui uma vitória acachapante da direita brasileira, ou melhor, da extrema direita, do bolsonarismo raiz, por assim chamado. Mesmo com seu maior líder preso por tentativa de golpe de Estado, o indicado de Jair Bolsonaro, o filho mais velho obteve a vitória em primeiro turno para presidente, sem falar nas demais esferas.

O partido elegeu cinco governadores, conquistou 19 das 54 vagas em disputa no Senado e teve os dois deputados federais mais votados da história, quando conquistou 121 das 513 vagas na Câmara Federal. Também fez centenas de deputados estaduais país afora.

Essa vitória estrondosa já estimulou Flávio Bolsonaro a dizer que o PT acabou e que a Constituição irá ser mudada, com a realização de uma redemocratização do país. 

O PT e o chamado lulismo sofreram um baque eleitoral e político significativos. Analistas vêem o resultado também que este espectro político tem certa culpa no resultado. Talvez por subestimar. Alguns falam em salto alto no primeiro turno. Mas agora já se fala que a arrogância mudou de lado.

Neste sentido, como manda o processo democrático, quem vai fazer a escolha no próximo dia 25 será o povo brasileiro, que pode definir o seu futuro e os rumos que se quer para a nação.

Neste segundo turno vai ficar ainda mais claro as visões de mundo dos dois candidatos. No exemplo da proposta do fim da escala de trabalho 6 por 1, mudando para a escala de cinco dias trabalhos e dois de folga sem redução salarial, fica evidente as diferenças. Lula é a favor da 5×2 e Flávio entende que deve se ter liberdade de negociação entre patrões e empregados, com remuneração por hora trabalhada.

Outra diferença grande de visões é sobre a maior estatal brasileira e uma das maiores empresas do planeta no setor petrolífero, a Petrobras. Lula aposta abertamente no fortalecimento da empresa como pública. Já Flávio, apesar de nunca ter declarado publicamente, flerta com a ideia de privatização deste ativo, que está prestes a explorar petróleo nas águas profundas da margem Equatorial do Brasil. Lula optou por não mais fazer paridade de preços dos combustíveis com a cotação internacional. A ideia de Flávio, ao menos do governo do pai, foi da chamada Preço de Paridade de Importação (PPI).

Flávio defende um alinhamento total com os Estados Unidos de Donald Trump. Já Lula prefere altivez brasileira diante da maior potência mundial, bem como perante o o mundo.

Portanto, daria ainda para descrever inúmeras diferenças entre os dois projetos em jogo neste segundo turno, mas com esses exemplos, já é possível perceber claramente o lado de cada um e suas ideias diversas gritantes. Neste sentido, como manda o processo democrático, quem vai fazer a escolha no próximo dia 25 será o povo brasileiro, que pode definir o seu futuro e os rumos que se quer para a nação.

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