Não somos uma ameaça ambiental

Os ambientalistas que conheciam ou conhecem a realidade de Candiota e da região, como os saudosos e gaúchos José Lutzenberger e Frei Sérgio Görgen (ah que saudade deles), sabiam e sabem que a exploração do carvão mineral no Brasil não representa, nem de longe, uma ameaça ambiental iminente, como querem fazer crer alguns institutos que instigam a Justiça a dar decisões requentadas, como a anunciada mais uma vez na última semana. 

As poucas usinas existentes em solo brasileiro – duas em Candiota, uma em Santa Catarina e duas no nordeste (essas abastecidas com carvão importado), representam apenas 1,8% da matriz energética nacional e são como baterias para o sistema elétrico, agindo na base e garantindo energia firme e sem dependência climática. Não à toa, para além da questão social e econômica (que somente isso é argumento suficiente), que o governo do presidente Lula resolveu sancionar a lei que garante mais 15 anos de compra de energia de reserva da Usina de Candiota, mesmo sendo um governo que tem como central a questão ambiental. 

Diferente de Görgen e Lutzenberger, ambientalistas contemporâneos fizeram da Usina de Candiota, especialmente, um bode expiatório da luta ambiental nacional – feito um troféu mesmo. O problema no Brasil relacionado ao efeito estufa (liberação de CO2 na atmosfera) está nas queimadas, fundamentalmente na Amazônia e no Cerrado, além da exploração predatória ilegal do garimpo, uso indiscriminado de agrotóxicos, transporte terrestre, naval e aéreo praticamente todo feito com combustíveis fósseis, entre outros tantos fatores. A Usina de Candiota representa literalmente menos que um grão de areia no universo poluidor do Brasil e do planeta.

Parem de nos agredir e venham nos ajudar a encontrar saídas viáveis e ambientais tanto para o uso do carvão, como para novas alternativas industriais e de atividades econômicas.

Entretanto, os olhares e ações mais contundentes nos últimos anos, se voltam para o carvão mineral de Candiota – como um vilão malvado e que está acabando com o mundo. Para nós e basta sair às ruas da cidade e perguntar, ele é o ouro negro, o que nos garante emprego, renda e vida digna. Tivessem os ambientalistas e o Judiciário recebido as mensagens que o vereador candiotense Axel Costa (PT) recebeu após a divulgação da nova sentença, talvez repensassem um pouco mais suas ações. Mães-operárias, em desespero, perguntando se a Usina ia fechar de fato e se elas perderiam seus empregos, já projetando como levariam comida para suas casas e filhos.

Nós, por aqui, temos mais consciência que qualquer teórico ambientalista sobre as consequências da queima do carvão, que não são nem de longe como pintam, inclusive mentindo sobre mortes que jamais existiram. Fazem terrorismo ambiental inconsequente e irresponsável, parecendo brincarem com coisa muito séria. Estamos empenhados numa transição energética que seja se fato justa e inclusiva. Insistir em desligar a usina de forma abrupta e sem planejamento é colocar em desespero milhares de pessoas – muitas delas que passaram de geração em geração na mineração e indústria de energia há mais de 50 anos. Sem falar em toda a cadeia produtiva, com a mineração e a indústria cimenteira, que usa as cinzas da queima do carvão. Além da instabilidade financeira comprometendo até serviços básicos como saúde e educação prestados pela Prefeitura local.

Parem de nos agredir e venham nos ajudar a encontrar saídas viáveis e ambientais tanto para o uso do carvão, como para novas alternativas industriais e de atividades econômicas. Parem de nos colocar em desespero, em nos tirar o chão e o sono. Precisamos de dezenas de freis Sérgios e Josés Lutzenbergers para nos ajudar a construir um futuro de transição energética, emprego, renda e felicidade e não a escuridão de nos tirarem aquilo que temos de mais precioso e sagrado.

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