Às Mães

Talvez não reste mais sequer uma palavra para definir o significado de uma mãe. O vasto vocabulário do amor e da saudade já foram suficientemente empregados e usados na definição desse ser magnífico, extraordinário, impagável e inigualável.
Trata-se, na realidade, de uma única pessoa que tem o absoluto significado da VIDA. Ela carrega em seu ventre o invólucro do embrião que depois irá se transformar na sua descendência, no filho ou filha por quem ela irá zelar permanentemente até que adquira autonomia para seguir sua vida.

Ensinará ao seu rebento os primeiros passos da sua vida terrena, e reaprenderá a correr atrás do filho que, antes de aprender a caminhar quer correr como se tivesse pressa extrema. É capaz de suportar mil noites sem dormir, tão somente para dedicar-se aos cuidados de seus filhos, acalentando sem parar até que o filho alivie suas dores e durma em paz.

Mas ela, mãe, não pode parar. A vida segue e ela precisa providenciar a sobrevivência cotidiana daquele filho indefeso que é inteiramente dependente dela. Além dos afazeres domésticos, quantas e inúmeras vezes ela precisa correr em busca de trabalho para sustentar uma vida digna aos filhos.

E quando chega o dia em que os filhos criam asas e partem para o mundo, ela terá consigo a dubiedade de sentimentos. Feliz pela independência do filho cuja personalidade ajudou a forjar, ao mesmo tempo, triste pela despedida daquele pedaço de vida que saiu do seu próprio corpo.

O mais caloroso beijo e abraço de uma mãe ao seu filho, é talvez, a maior proteção que aquele mesmo filho poderá receber. As suas orações silenciosas e contidas, hão de expressar o mais forte pedido de bênçãos para que o bom Deus o ampare no correr da vida que irá seguir.

E não poderá existir dor mais pungente, punhal mais ferino, do que o pranto interior daquela mãe que perde seu filho a quem ela deu à luz. Só ela é capaz de sentir com a compreensão exata, a dor daquela perda inexplicável que contraria a normalidade do ciclo da vida. É, talvez, a dor mais triste do mundo, que somente uma mãe sente, e somente ela é capaz de suportar. Mais ninguém!
Vinte anos atrás recebi um mimo de minha mãe, com uma dedicatória muito linda. Era um livro que falava sobre o papel do pai em relação aos filhos nos dias de então.

Dois anos depois, ela partiu deste mundo, deixando imensas saudades. O livro eu guardei em um lugar único, só dele, e acabei perdendo a coragem de reabri-lo para reler o que ela havia escrito para mim. Confesso, não sei explicar por qual razão eu contraí esse receio.
Pois nesta semana que antecedeu o Dia das Mães, eu tomei coragem e novamente resolvi manusear o livro deixado por ela. Suas últimas palavras dedicadas a mim, diziam exatamente assim:
A ti meu filho, eu desejo simplesmente tudo e nada. TUDO o que te faça feliz. NADA que te faça sofrer.
É inexplicável a beleza singela e pura desta frase que somente poderia emanar da figura materna.

FELIZ DIA DAS MÃES.

JÁ PUBLICADA NO IMPRESSO

Comentários do Facebook