Mozart Sales falou da importância dos investimentos para o município e região Foto: Anderson Coka/Imprensa PMB
O prefeito de Bagé, Luiz Fernando Mainardi, acompanhado do secretário de Saúde, Gilson Machado, recebeu, neste domingo (22), o secretário de Atenção Especializada à Saúde (Saes) do Ministério da Saúde, Mozart Sales. Na ocasião, o representante do governo federal anunciou que o município será contemplado com equipamentos estratégicos e reforço no financiamento da saúde especializada.
A agenda resultou na confirmação de importantes avanços para a rede municipal. Entre os encaminhamentos oficializados estão a destinação de um tomógrafo, um aparelho de ressonância magnética, uma van e um micro-ônibus para o transporte de pacientes do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), além da ampliação do financiamento federal para a saúde.
Segundo o prefeito Luiz Fernando Mainardi, os números apresentados ao Ministério evidenciam o peso que Bagé vem assumindo para garantir o atendimento da população. “Nós temos hoje profissionais limitados e um custo altíssimo para viabilizar consultas, exames e procedimentos. Fazemos esse investimento porque tem que ser feito. É onde estão as pessoas, está o problema, a dor e a necessidade de solução, mas isso consome grande parte do já combalido orçamento municipal”, afirmou.
O prefeito também ressaltou que, com a oferta de especialistas no município, mais investimentos podem ser feitos em outras áreas. “Se tivermos centros de atendimento mais próximos, com Bagé como cidade polo, vamos economizar recursos e, principalmente, tempo e sofrimento das pessoas que enfrentam filas. E à medida que o Ministério nos atender, eu acredito que vai sobrar recursos para a gente fazer outros investimentos como em pavimentação, uma necessidade urgente que também é de nossa responsabilidade”, pontuou.
Durante a visita, Mozart Sales destacou preocupação com a atual logística de transporte de pacientes para tratamento noutras cidades. “Fiquei bastante preocupado com o relato do prefeito de que Bagé mantém 48 veículos com motoristas levando pacientes para 15 cidades diferentes. Isso é completamente desarrazoado. É um drama cotidiano para os pacientes e tem um custo imenso para o município”, afirmou.
Prefeitos da região também participaram da reunião Foto: Anderson Coka/Imprensa PMB
Para enfrentar esse cenário, o Ministério está estruturando a participação de Bagé no programa de transporte sanitário. “Vamos disponibilizar van e micro-ônibus para dar escala e diminuir custos. Precisamos concentrar mais o processo de referência da atenção especializada”, explicou.
O secretário também confirmou que estão em estudo dois projetos relevantes para o município. O primeiro é a instalação de uma policlínica, com a criação de um complexo ambulatorial especializado. “A ideia é integrar as estruturas de atendimento em um prédio expressivo, acolhedor, qualificado e humanizado, com capacidade de oferta regional”, disse. Os aspectos técnicos e orçamentários já estão em discussão e a expectativa é que até março haja um anúncio oficial.
Em relação ao complexo diagnóstico, Mozart Sales afirmou que o Ministério trabalha para estruturar um centro de imagem em Bagé. “Já estamos adquirindo 80 tomógrafos e aparelhos de ressonância magnética para o Brasil, dentro do PAC, e a ideia é que Bagé possa ter essa estrutura como base regional. Nossa equipe já visitou o local onde os equipamentos serão instalados. Isso vem para somar ao que já existe no âmbito da Santa Casa”, destacou.
“Quanto mais autonomizar, dar resolutividade e garantir que o atendimento aconteça aqui, melhor para os habitantes de Bagé e da região da Campanha. Ganha-se em rapidez no diagnóstico, evita-se deslocamento e reduzem-se custos dos prefeitos da região. Estamos bastante animados com essa perspectiva”, concluiu Mozart Sales.
Anúncios impactam diretamente a região Foto: Anderson Coka/Imprensa PMB
INVESTIMENTO
Conforme a Prefeitura de Bagé, o município vem aplicando recursos próprios acima do mínimo constitucional na área da saúde. Em 2025, o percentual destinado às Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS) alcançou 26,75% da Receita Corrente Líquida, conforme dados do SIOPS, superando os 15% exigidos pela Constituição.
Embora a Atenção Especializada seja responsabilidade compartilhada entre Município, Estado e União, Bagé tem assumido custos expressivos para garantir o atendimento à população diante da limitação de oferta e do elevado tempo de espera no sistema.
Atualmente, o Município contabiliza 2.375 pacientes aguardando primeira consulta via GERCON, 3.171 consultas já autorizadas e ainda não realizadas, além de 3.762 consultas gerenciadas via SISREG e custeadas integralmente com recursos próprios.
Somente com Tratamento Fora do Domicílio (TFD), o Município despendeu, em 2025, R$ 6.536.004,10 milhões. Considerando consultas, exames e procedimentos especializados custeados com recursos próprios, o gasto anual aproximado com Atenção Especializada alcança R$ 21.536.004,10 milhões.



