Inteligência

O tema do momento, além da COP-30, que trata do aquecimento global e do meio ambiente, é a inteligência artificial.

Há quem ande se suicidando pelo mundo porque coloca os dados de sua vida na plataforma de inteligência artificial e o robô que analisa informa a melhor sugestão: ‘termina logo com teus problemas, tu sabe o que tem que fazer’. Nessas daí uns quantos já foram. Algo mais simples que ‘fala que eu te escuto’, bem mais humano.

Algumas pesquisas que andei fazendo me deram respostas bem pouco confiáveis. Daí que cheguei à mesma conclusão que dizem que Pablo Picasso chegou ao analisar o computador: ‘É tão burro quanto quem está na frente dele’.

A inteligência, artificial ou não, é coisa que poucos sabem usar.

Porém, se em outras épocas se dizia que o melhor negócio que havia era uma refinaria de petróleo bem administrada, hoje o melhor negócio é o que se faz com inteligência procurando ganhar dinheiro com a estupidez humana ou com a ignorância humana se alguém quer ser mais gentil.

Os que usam inteligência a favor são cada vez menos e a riqueza produzida se concentra na mão de menos pessoas a cada ano que passa. Os poucos ricos do Brasil conseguiram fazer o Congresso Nacional aprovar e o presidente da República sancionar um Banco Central do Brasil independente. Independente dos pobres. Hoje, como era de se esperar, o Banco Central sustenta uma taxa de juros de 15% num país com inflação abaixo de 5%.

O povo continua falando de políticos e administradores públicos corruptos. Corrupção, por maior que seja, chega nem perto dos trilhões de reais que os ricos do Brasil estão ganhando por ano para manter o dinheiro parado, sem gerar desenvolvimento, riqueza, emprego e renda. Banco Central independente é sem dúvida fruto da inteligência dos ricos.

Para onde vamos eu não sei, mas é melhor que os prevenidos estudem o mais que puderem.

Num país onde para jogar num cassino temos de ir a Rivera, as bets da vida estão aí, numa apropriação do dinheiro dos pobres que acreditam no jogo como alternativa de sucesso que se contraponha aos fracassos diários. O jogo do bicho era muito mais honesto. Dava mais empregos, devolvia mais dinheiro ao apostador. De tudo que era apostado, 70% ficava com o apostador ou o anotador. A gente era feliz e não sabia, embora eu não tenha jogado no bicho mais de cinco vezes.

No jogo, o país empobrece, com raras exceções. E a exceção é o exemplo do burro. Se antes o bicheiro era Castor de Andrade, o lendário contraventor carioca, hoje ninguém sabe quem são os inteligentes donos das bancas da bet.

A inteligência artificial vai tornar menos pessoas mais ricas. Esta semana, robôs humanóides foram apresentados na China. Projetados para substituírem humanos em atividades repetitivas, por enquanto.

Em breve, o João André sozinho vai poder produzir e colocar este jornal na gráfica em minutos. Se quiser, nem precisa esperar, já é possível fazer isso hoje. Manterá apoio porque é preciso ter alguém do jornal perto da notícia. Importante, mas não exatamente necessário.

Eu continuo escrevendo a coluna, levo em torno de meia hora. No máximo uma hora. Porém, bastaria falar de dois a cinco minutos com um programa de inteligência artificial sobre algum tema e ele me entregaria a coluna em menos de um minuto.

Para onde vamos eu não sei, mas é melhor que os prevenidos estudem o mais que puderem. Para usar a inteligência é preciso ter conhecimento.

JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO

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