Não é só de carvão mineral que vivemos

O jornal Tribuna do Pampa advoga desde sempre e não apenas a gente, que o carvão mineral é a grande riqueza regional. É o nosso outro negro! Ainda o usamos como nos tempos da Revolução Industrial, o queimando simplesmente para gerar energia elétrica. Nem mesmo a cinza, que é um subproduto da queima usamos em sua totalidade, quando apenas a indústria cimenteira utiliza uma pequena parte.

Com o processo de transição energética em curso e um prazo de 15 anos para a Usina de Candiota (Âmbar) e até 2043 (18 anos) para a Pampa Sul (há uma indicação de encerrar as atividades antes desse prazo nesta unidade), nos coloca numa situação de desconforto econômico novamente em pouco tempo.

Todos acompanharam a angústia e porque não classificar de desespero o que passamos recentemente, quando no apagar das luzes e por sensibilidade do governo do presidente Lula, vemos um artigo de lei ser inserido para nos garantir mais 15 anos de contrato de energia de reserva na Usina de Candiota. Mesmo com essa garantia legal, estamos sendo agredidos de todos os lados para que a legislação não seja cumprida. Vamos vencer novamente.

Contudo, essa insegurança não pode persistir. Bagé, ao que tudo indica, vai avançar para se consolidar como um polo educacional, com o advento do curso de Medicicna em breve, porém sabemos que um polo assim, por si só, não se sustenta economicamente. Precisamos manter o polo industrial de Candiota. Imaginem se o carvão parar de ser explorado, quanto milhões param de circular regionalmente? O que repõe um rombo desses? Essas perguntas, nem mesmo Bagé se faz com frequência, mas deveria, assim como todos os demais municípios do entorno de Candiota.

Contudo, essa insegurança não pode persistir. Bagé, ao que tudo indica, vai avançar para se consolidar como um polo educacional, com o advento do curso de Medicina em breve, porém sabemos que um polo assim, por si só, não se sustenta economicamente. Precisamos manter o polo industrial de Candiota.

Mas Candiota não pode ter uma postura passiva, com a boca aberta cheia de dentes esperando a morte chegar, como diria Raul Seixas em sua célebre música. Candiota precisa urgente resolver problemas históricos como o de água.

Precisa melhorar sua infraestrutura de urbanismo, que se deteriora rapidamente, sem sequer de um posicionamento mais firme sobre onde de fato é a cidade, o seu centro geográfico. Candiota precisa se tornar uma referência na educação fundamental da região, pois nenhum município possui tantos recursos nessa área como na Capital Nacional di Carvão, entre outras situações que estão por se fazer e que dependem muito mais de atitudes locais do que qualquer outra coisa.

Já do ponto de visto econômico, há uma dependência severa de um olhar diferenciado dos governo do Estado e federal. Nos parece que o diagnóstico que está sendo montado pelo governo estadual é muito mais do mesmo, mas vamos esperar para ver. Precisamos de coisas concretas, como por exemplo, o incentivo de fato (financiamentos) para novas indústrias, pois Candiota é vocacionada a isso. O governo federal precisa investir pesado para que o carvão mineral ganhe novo impulso, passe a gaseificar e reter CO2. Tenha outros fins industriais.

Enfim, nossos desafios são gigantescos e não pode isso ser obra de um governo ou de um líder. Isso será obra coletiva. Não temos tempo a perder!

JÁ PUBLICADO NO IMPRESSO

Comentários do Facebook