RUMO AO RECONHECIMENTO

Comunidade de Pinheiro Machado se reúne para avançar na autodefinição quilombola

Mais de 20 moradores participaram do encontro com a Emater/Ascar Foto: Regina Medeiros/Emater/RS-Ascar

A reafirmação da ancestralidade quilombola mobilizou moradores da Costa do Arroio Boeci, em Pinheiro Machado, em um passo inicial rumo ao reconhecimento oficial de sua identidade coletiva. Vinte e quatro participantes se reuniram nesta quinta-feira (13) na residência de dona Abrilina, para um encontro que marcou um momento significativo para o processo de autodefinição formal daquela comunidade como quilombola, ampliando o acesso a direitos e políticas públicas.

A atividade foi coordenada pela extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Rozana Moraes da Silva e contou com a presença dos assistentes técnicos regionais da instituição, Regina Medeiros e Cesar Demenech, e de quilombolas das localidades de Carro Quebrado, Aberta do Cerro e Alto Bonito. De forma articulada, o grupo vem debatendo identidade, memória coletiva e os procedimentos necessários para o reconhecimento oficial como comunidades remanescentes de quilombo.

Segundo a Emater, a ancestralidade esteve no centro das reflexões. Foram ressaltados os vínculos históricos, a preservação das tradições e a transmissão de saberes entre gerações como elementos fundamentais para a consolidação da identidade coletiva. Também entraram em pauta a elaboração do relato histórico, a organização da documentação exigida e os encaminhamentos para a formalização da Certidão de Autodefinição.

O encontro contou ainda com a participação de representantes da Comunidade Quilombola Tio Dô, do município de Santana da Boa Vista, que compartilharam a experiência no processo de certificação junto à Fundação Cultural Palmares. Foram relatados desafios enfrentados, aprendizados ao longo do percurso e os impactos positivos após o reconhecimento oficial, especialmente no acesso a políticas públicas.

A participação expressiva da comunidade demonstrou o comprometimento as ações futuras, compromisso reafirmado ao final do encontro. “O processo de autodefinição é coletivo, construído a partir da memória, da ancestralidade e da organização social. Ver a comunidade mobilizada é fundamental para que o reconhecimento avance com força e legitimidade”, afirmou a extensionista Rozana.

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