GARANHÃO
Vamos falar de garanhão, não dos humanos que estufam o peito quando são tratados como tal, mas do legítimo, o equino macho reprodutor.
Pois é, há muito tempo um garanhão foi patrimônio vivo do município de Candiota. Parece estranho, mas não é. Com o advento dos assentamentos era preciso proporcionar meios para agricultar as terras. Os tratores eram raros e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) fazia ouvidos de pescador.
Nasci na roça e os mecanismos de produção eram uma boa junta de bois para lavrar a terra e um cavalo amestrado para fazer a capina. Tratores não havia.
Resolvemos adquirir um garanhão Percheron – animal próprio para serviços pesados e incentivamos os colonos a criar potros para estes trabalhos rurais.
Muitos abraçaram a ideia e fizeram bom proveito nos seus lotes. Animais fortes e próprios para serviços pesados. Também muito baratos, movidos a pasto e água e raramente com um pouco de milho.
Quando perdemos as eleições, os novos gestores que nos sucederam faziam chacotas e trataram de liquidar o projeto com garanhão e tudo. Abandonaram o trator a pasto e a agricultura de baixo custo.
E o garanhão? Virou salame em algum matadouro de fundo de quintal.

A ÉGUA BENDITA
Quando criamos o CRA (Centro de Reabiltação e Apoio) adquirimos com dinheiro público um animal cavalar para que os atendidos pudessem interagir com o animal. É sabido que o equino é dos animais o que mais se presta ao convívio dos autistas. Sentem-se seguros e interagem com bons resultados.
Não lembro mais o nome da égua. Quando saímos do governo, deixamos lá no patrimônio municipal a égua de tal, para tais fins…
Pois também a égua escafedeu-se por encanto. Provavelmente virou salame tal qual o garanhão. Talvez tenha sido sacrificada para que ninguém tivesse a ideia de reabilitar a equoterapia.
AS COISAS…
…estão no mundo, só é preciso aprender a tocar a bandinha do amor pelos portadores de necessidades especiais e dos desvalidos e caídos pela máquina de moer carne humana… (tudo bem).
JÁ FOI CONTEÚDO NO IMPRESSO



